João Lourenço vai manter o mandato até ao fim

Foto de Paulo Leitão

O presidente da câmara de Santa Comba Dão, João Lourenço (PSD), esclareceu hoje que pretende cumprir o seu mandato até ao fim, apesar de ter anunciado que quer renunciar ao cargo para que foi eleito.

Na passada quinta-feira, João Lourenço abandonou a reunião do executivo e anunciou a sua intenção depois de a vereadora Manuela Alves, do PSD, ter votado ao lado da oposição socialista contra a adjudicação da empreitada de construção do novo complexo de piscinas municipais.

Em comunicado, o autarca lamenta que os vereadores do PS persistam “na sua cruzada contra qualquer tipo de investimento”, alegando a “débil situação financeira” do município.

“No entanto, mais grave foi a posição da vereadora eleita pelo PSD, que repetiu o voto contra que já tinha usado no orçamento para 2011”, sublinha.

No seu entender, ao colocar-se ao lado da oposição “na votação de mais um assunto importante para o concelho, demonstrou o seu carácter, a sua falta de solidariedade e do dever de lealdade para com a lista que integrou” e os munícipes que a elegeram.

“Pensará a senhora vereadora que, se concorresse sozinha, seria igualmente eleita?”, questiona João Lourenço, frisando que os valores que defende “são contrários a atitudes deste calibre”.

Para o autarca, “a democracia em Santa Comba Dão está ferida de morte”, graças a “uma oposição taticista e sem escrúpulos” e a “uma vereadora que despreza os mais elementares princípios da democracia, que atraiçoa os 51 por cento de eleitores que votaram na lista que integrou e que procura um protagonismo absurdo e sem sentido”.

Uma vez que Manuela Alves não renunciou voluntariamente ao mandato e por se sentir “enganado e traído por ser impedido de fazer o seu trabalho e concretizar um projeto que foi maioritariamente sufragado”, João Lourenço entendeu que devia demitir-se.

No entanto, “as manifestações de solidariedade”, os “apelos à ponderação, vindos de variados quadrantes políticos”, as consequências para a câmara e “a impossibilidade legal de serem convocadas eleições intercalares” levaram-no a reconsiderar ideia, argumenta.

“Continuarei com toda a determinação, vontade, força e disponibilidade, a resistir e a exercer, embora de forma limitada, as funções para as quais fui eleito, até ao final do mandato que me foi confiado”, garante.

A agência Lusa contactou Manuela Alves, que remeteu um comentário para mais tarde.

Já Leonel Gouveia justificou os votos contra dos vereadores do PS com os “encargos financeiros que a câmara não está em condições de suportar, a localização do novo complexo das piscinas no atual estádio municipal e a consequente descaracterização de todo o complexo” e também com o facto de “o novo complexo não incluir umas piscinas ao ar livre, como existe no atual”.

O vereador socialista preferiu não fazer comentários à atitude de João Lourenço, dizendo apenas que irá “aguardar até à próxima reunião de câmara, altura em que será analisada e discutida a ata” da última.

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