Cheias de 2001 podem repetir-se em Montemor-o-Velho

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O risco de uma cheia no Baixo Mondego com caudais idênticos ou superiores a 2001, quando a zona foi inundada, provocando avultados prejuízos materiais, existe, alertou um especialista em catástrofes naturais reunidos em Montemor-o-Velho.

Na reunião do Conselho Municipal de Segurança (CSM) de Montemor-o-Velho, convocada no dia em que passam precisamente dez anos sobre as cheias de 2001, Pedro Proença Cunha, do Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Coimbra, alertou para as consequências de uma nova inundação.

“Não se podem fazer novas construções na planície aluvial, é uma área onde o rio já esteve”, sublinhou, defendendo ainda a “gestão dos caudais” da barragem da Aguieira, a montante, “levando em conta os bens existentes e a segurança” das pessoas.

Na palestra que proferiu, o professor universitário da Faculdade de Ciências e Tecnologia explicou o que esteve na base das inundações que assolaram Montemor-o-Velho em janeiro de 2011, lembrando, precisamente, a questão da barragem da Aguieira, que “quase foi galgada” pela água depositada, nos dias 26 e 27.

“Esse foi o grande problema”, sublinhou, frisando que a barragem esteve durante 24 horas a fazer descargas de 1000 metros cúbicos por segundo. “Como não tinha capacidade, estava a descarregar num período em que devia estar a reter água”, disse.

Já o autarca de Montemor-o-Velho, Luís Leal, lembrou que a obra hidro-agrícola no rio Mondego e outras intervenções, subsequentes às cheias, não estão ainda concluídas. “Trocou-se o Mondego pelo Alqueva. Não se conclui a obra, o INAG [Instituto da Água] não tem capacidade para intervir e o problema é transversal. Tem de se compatibilizar a defesa dos regantes com a segurança das pessoas”, frisou.

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