A cidadania e a democracia

Os partidos políticos são a base do sistema democrático e, por consequência, devem, em todos os momentos, assumir a responsabilidade de serem verdadeiramente o elo de ligação à sociedade civil e aos seus principais problemas e inquietações. Se assim acontecesse, com certeza que não teríamos tantos cidadãos alheados desse “mundo horrível” da política e dos partidos políticos.

Na realidade identificamos um ciclo vicioso que deambula entre a pouca capacidade das organizações políticas atraírem mais pessoas, mais jovens, mais competências e conhecimento e a falta de apetência para a participação cívica de muita gente que poderia qualificar estas estruturas, a democracia e por consequência, a governação local e nacional.

Este complexo problema de cidadania e de qualificação da democracia portuguesa poderá começar a ser resolvido com uma nova postura dos cidadãos e uma nova abertura, tolerância e foco para formar e captar novos talentos, da parte dos partidos políticos. Para que tal se concretize, é necessário que, desde logo, os partidos se modernizem, aproveitem as redes sociais, construam portais interactivos, desenvolvam conhecimento e promovam uma nova reflexão sobre o papel da democracia na sociedade portuguesa, principalmente junto dos mais jovens.

As organizações políticas locais ou distritais deverão trabalhar para deixarem de ser vistas como “tropas” de campanha ou simples agências de contactos, para começarem a ser identificadas como pontos de discussão tolerante, espaços abertos de produção de conhecimento, contando com os melhores de cada área sectorial, dando assim significado à política, como actividade essencial à qualidade de vida das pessoas.

Como se faz esse caminho ideal, nesta sociedade cada vez mais individualista e num cenário de crescente afastamento entre eleitos e eleitores?

Não havendo fórmulas mágicas, far-se-á, desde logo, se os partidos estiverem bem conscientes do problema e perceberem que também terão de MUDAR! Essa mudança poderá parecer óbvia mas implicará enorme tolerância e capacidade de ouvir, de chamar, de aproximar e de renovar. Penso também que as estruturas locais e distritais das organizações partidárias são o êmbolo para iniciarmos este processo de mudança na sociedade portuguesa, cruzando os vários actores e promovendo novos meios de participação dos cidadãos.

Pode ser idealista mas se não o tentarmos fazer, caminharemos para a degradação da democracia, com crescentes abstenções nos actos eleitorais, afastamento dos cidadãos e desqualificação dos actores políticos.

É por causa deste enorme desafio, transversal a todas as organizações partidárias, que o PSD em Coimbra vai querer implementar uma nova agenda política distrital. É por causa destes desafios, que o Marcelo Nuno pretende, caso seja eleito, no próximo dia 5 de Fevereiro, criar uma plataforma de estudos sectoriais, promover um congresso distrital do PSD, e trabalhar com o gabinete de formação autárquica, aproveitando o conhecimento dos nossos autarcas, na preparação de quadros em cada concelho do distrito.

Independentemente dos apoios e dos candidatos, a atitude desta candidatura é, no respeito por todos, desafiar a sociedade civil a participar activamente na construção de um distrito de Coimbra mais coeso, liderante na Região e exemplar no País.

É por causa deste ideal e desta enorme responsabilidade social que apoio o Marcelo Nuno e estarei ao seu lado a coordenar a plataforma de Estudos “Coimbra tem Futuro!” porque é nosso desejo mudar a percepção dos cidadãos e tentar provar que afinal, a política tem um papel essencial na mudança estrutural de Portugal. Desde a reorganização do Estado à Justiça, do Empreendedorismo jovem à Educação, do desenvolvimento rural nos territórios de baixa densidade demográfica às políticas de ordenamento, das políticas de desenvolvimento urbano à cultura, património e inovação social, precisamos de uma agenda reformista que envolva os portugueses.

Sendo difícil, trata-se de um desafio estimulante que poderá não mudar o mundo mas, com certeza, ajudará a mudar Coimbra, a Região e Portugal.

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