Opinião: Coimbra e a Região Centro. A importância do Turismo religioso

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1. A importância do Turismo religioso na actualidade

Quando falamos de Turismo em Portugal, estamos a falar de uma indústria galopante, de grande importância económica, nomeadamente na Região Centro (mais de 18% do seu PIB), mais de 6 milhões de dormidas ( 14% em dormidas, 19% em receitas). Esta extrema importância torna-a muito competitiva e volátil. É uma actividade de lutadores, de ganhadores e perdedores.

O aparecimento de concorrentes poderosos, em qualidade/preço no segmento Sol e Praias (Norte de África, Mediterrâneo, Caraíbas) obrigou o País e a Região Centro em particular a repensar a estratégia de mercado em termos de posicionamento.

Resultado disso, o segmento do turismo religioso em Portugal surgiu somente em 2013 (mesmo incluindo o caso de Fátima).
Hoje o Turismo religioso, está a tornar-se fulcral no desenvolvimento do Turismo da Região Centro, nas suas múltiplas manifestações de natureza espiritual, através de três vertentes principais: Fátima, altar do Mundo; Caminho português de Santiago; Turismo judaico.

2. Turismo da Região Centro, um trabalho de enorme qualidade

Fátima é um caso de sucesso com 9 milhões de visitantes anuais (numero apenas superado pelo Vaticano) e está tudo dito.
Quanto ao Caminho Português de Santiago o Turismo do Centro iniciou, em 2011, o trabalho de casa (identificar e reconhecer).
Existem em curso, acções como: 1 ) Melhorar o acolhimento dos peregrinos, 2 ) Aproveitar a sua presença, 3 ) Valorizar os recursos que os territórios atravessados têm para lhes oferecer.

Paralelamente estão, a desenvolver-se outras ramificações, vindas do interior. A próxima será a Via Portugal Nascente, a divulgar em Maio.

Há que reconhecer e prestar a nossa homenagem ao Turismo da Região Centro, que em tempo de dificuldades, està a realizar um trabalho de grande qualidade! Não há resultados sem trabalho eficaz e competente. Não há competência sem amor por aquilo que se faz em prol da cidade e da Região onde se vive e a que se chama sua. Os resultados estão à vista!

3. Coimbra, terra de Santos notáveis

Coimbra para além de estar nos Caminhos de Fátima está no eixo central do Caminho Português de Santiago desde o Sec X. Aqui passaram, daqui partiram, muitos peregrinos. A sua importância para a cidade foi tanta, que a Igreja de Santiago, foi dedicada ao Apostolo em 1206.

A Rainha Santa Isabel foi, com certeza, a Peregrina de Coimbra mais ilustre da nossa História. Com a morte do marido D. Diniz, em 1325, a sua alma amargurada como mulher, esposa e mãe tinha necessidade de reencontrar uma orientação para a vida. Nas 70 léguas de caminho transportada numa mula (os últimos 30 kms foram feitos a pé) fez-se acompanhar por numerosa comitiva. Capa aos ombros, bordão, chapéu de abas com vieira, bolsa à cintura, aberta para as esmolas. Aí foi, caminho fora, a nossa Santa padroeira, sorrindo para quem ia encontrando!

Para além de Isabel, Coimbra é terra de Santos: de Dona Sancha (de Celas) à Irmã Lúcia.

Mas há dois casos notáveis que trarão grandes benefícios para a cidade, quando os tratar de forma eficaz: S. Teotónio (o primeiro Santo português) e Santo António (um dos Santos mais conhecidos da Cristandade, o português mais conhecido do Mundo). Foi em Coimbra que António ganhou a sua vocação religiosa e por esse facto deveria ser designado Santo António de Coimbra (porque em Lisboa foi Fernando, só em Coimbra foi António). Coimbra, um potencial turístico enorme por desenvolver. Hà que saber tirar proveito deste facto.

One Comment

  1. Maria Anjinho says:

    Eis um texto digno e bem estruturado. Há que tirar proveito deste opinion-maker! Só assim Coimbra terá um futuro mais brilhante. Ele sabe de tudo e é uma fonte de inspiração.
    Deveria ser mais respeitado e ser o obreiro das revoluções que tem expressado.
    Que amante coimbrão aqui se está a perder! Para funcionário principal do turismo e do universo conimbricense, já!
    Quem mais original e providencial para a cidade do Conhecimento? Pois eu digo: ninguém!
    Ave, Heldre!

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