Opinião: Os Restaurantes que a Coimbra do futuro necessita

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1. O que levará um pacato cidadão a ir a um Restaurante de Coimbra?

Hoje há muitos mais Restaurantes de qualidade em Coimbra, mas ainda falta muito para sermos uma referência a nível da gastronomia nacional, como desejamos, escrevi eu em Crónicas anteriores. Coloquemo-nos no lugar dos potenciais clientes! O público-alvo como se diz na cultura empresarial.

Como seduzir um turista que nos visita, a comer em Coimbra e não noutro local? Como fazer sair de casa uma pessoa, um casal, uma família para ir comer a um restaurante, mesmo em noite fria de inverno? O que os levará a escolher um determinado restaurante e não outro? O que é que os poderá surpreender e fazer voltar de novo?

2. A maioria dos Restaurantes que temos

Venham comigo, vamos dar uma volta pelos restaurantes da cidade! A primeira constatação é de que, embora havendo muitos restaurantes, e salvo belíssimas excepções, a maior parte deles são generalistas, com pouca diferenciação e imaginação, com ementas genericamente semelhantes e uma notória fraca qualidade de serviço.

Colocam-nos, a abrir, em cima da mesa; um pires com pão, queijo e azeitonas, em vez de uma saudação amigável e um cálice de vinho especial para abrir o ambiente e o paladar. A ementa, uma sensaboria. Creme de legumes (recomendado com insistência porque que é do dia!).

O prato principal; uma lista interminável de peixes e carnes (aparentemente tudo o que existe nas arcas frigoríficas da casa, que claro estão por fazer, que constituem “uma seca” para o mais incauto, com trinta minutos a uma hora a descongelar, a confeccionar, a trazer à mesa, fazendo perder a paciência ao mais santo, que daí a uma hora tem que estar numa Reunião na Câmara ou numa visita guiada à cidade! O cliente avisado, que não tem tempo nem quer ir parar ás urgências com uma intoxicação no corpo, entrega derrotado as armas, e manda vir o prato do dia, seja ele qual for!

As sobremesas, já se sabe! salada de frutas e mousse de chocolate (é-nos dito em segredo, já as comi, estão boas, foram feitas hoje!). E o cliente que disso está farto de comer em casa e de estar sentado à mesa, manda vir o café e a conta, e espera mais quinze minutos! Que diabo, ninguém sai de casa, a não ser por absoluta necessidade, para ir a um restaurante comer pão e azeitonas, creme de legumes, carne congelada, salada de frutas, e gastar uma ou duas preciosas horas!

3. Os Restaurantes que Coimbra necessita no futuro

Meus caros leitores, todos o sabemos, estamos no Mundo da gastronomia diversificada, personalizada, experimental, que seduz, surpreende e cativa o cliente mais conservador. O Restaurante do futuro será cada vez mais, um espaço agradável, lúdico, socializante, de ousadia e aventura! Bem-vindos ao Mundo dos Restaurantes especializados.

Há vários tipos de especializações. Uma das mais vulgares, que todos conhecemos, é a do prato especial, a marca de referência da casa, a sua “obra de arte”, aquilo que ela faz como ninguém!

É o caso da sopa da pedra em Almeirim, do frango do Pompeu, do Leitão do Manuel Julio, do Rei dos Leitões, da Meta ou do Pedro, do arroz de tomate em Pombal, do bife da Portugália…. No centro de Bruxelas há dezenas de restaurantes, sempre cheios, com um único prato; as “moules”, os celebres mexilhões. Todos teimam em cozinhar os mexilhões à sua maneira, melhor que os outros!

Mas há especializações mais sofisticadas, mais arrojadas, mais surpreendentes. Acontecem todos os dias, em todas as partes do Mundo. Toda a gente quer ser feliz! Atenção às próximas Crónicas.

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