Opinião: Pombal. Raízes e marcas de Coimbra por todo o lado

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1. O Castelo dos Templários. Aqui nasceu Pombal

Chegamos a Pombal a meio da manhã. Avistamos ao longe, lá no cimo, o belo Castelo dos Templários e vamos visita-lo de imediato. Foi a partir daqui que nasceu a cidade.
Três personagens, todos eles ligados a Coimbra, estiveram na sua origem.
i) D. Sesnando; Governador de Coimbra, que no Sec XI, teve a inaudita ideia de mandar construir os castelos amuralhados a Norte do Mondego para defender o seu Condado.
ii) D. Afonso Henriques, que a partir de Coimbra quis ir mais além, a Sul, no desejo de fundar um Portugal mais amplo até Lisboa e ao Algarve construindo, entre outros, o Castelo de Pombal como ponto de apoio.
iii) Gualdim Pais realizou o sonho de D. Afonso com os seus bravos e temíveis Templários de quem era Mestre.
Do cimo da Torre de Menagem vemos Pombal rodeada de uma malha urbana a perder de vista, fazendo dela uma das cidades com os maiores índices de crescimento da Região Centro. Coimbra pode muito bem orgulhar-se e inspirar-se, nesta cidade que ajudou a nascer, como iria constatar!

2. Marquês de Pombal e a Reforma pombalina da UC

Descemos tranquilamente até à Praça do Marquês de Pombal, uma das figuras mais poderosas, controversas e carismáticas da Historia de Portugal, de que os pombalenses tanto se orgulham. O Marquês nasceu em Lisboa, foi primeiro ministro do Reino no tempo de D José I, mas viveu os últimos anos da sua vida e morreu em Pombal, na Quinta da Gramela.
A Praça restaurada é um modelo de harmonia, com o Celeiro e a antiga Cadeia hoje transformadas num riquíssimo Museu. Que bela Homenagem ao seu ilustre personagem!
O Marquês está profundamente ligado a Coimbra. Primeiro porque aqui estudou e se licenciou em Direito. Mas sobretudo porque através da sua Reforma Pombalina foi o obreiro da maior Reforma do ensino Superior que alguma vez se fez em Portugal.
Começou por expulsar os jesuítas, professores da UC, que atrofiavam e fechavam as mentes das elites que ali se formavam, com o seu ensino escolástico feito de verdades universais que não admitiam a duvida, a controvérsia, o debate de ideias.
Seguindo as linhas do iluminismo (de que Verney foi o introdutor em Portugal), mandou vir professores insignes do estrangeiro que juntou aos melhores nacionais. Reorganizou as faculdades de medicina, direito e teologia, criou as de matemática e filosofia. Mandou construir; o Observatório astronómico, o Museu de Historia natural, o Jardim Botânico, o Laboratório Químico, o Gabinete de Física. Em suma abriu Portugal ao pensamento e à cultura europeia, através da UC!

3. Da Rainha Santa Isabel ao Renascimento coimbrão

A manhã estava a terminar. Entramos na Igreja Matriz de São Martinho, simples na arquitectura, com um interior de grande beleza. Na parede frontal um arco de alto a baixo, um enorme painel de azulejos comemorando o facto histórico (Sec XIV) representando a Rainha Santa Isabel, ao centro, montada numa mula, celebrando a Paz entre as tropas do marido D. Diniz (vindo de Leiria) e de seu filho Afonso (vindo de Coimbra). Em baixo ao centro o retábulo mor da autoria de João de Ruão da escola do Renascimento coimbrão.
Santa Isabel, D. Diniz, D. Afonso, João de Ruão, marcas de Coimbra em Pombal, de grande significado, que não podem deixar de ser aqui referidas. Mais surpresas estavam guardadas para à tarde!

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