Opinião: Maternidades de Coimbra – o direito à saúde

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Há muito que se especula sobre a fusão das maternidades de Coimbra e sobre a possível construção de um novo edifício.
Na cidade, existem duas Maternidades. A Maternidade Bissaya Barreto, outrora incluída no CHC (Centro Hospitalar de Coimbra), e a Maternidade Daniel de Matos que integrava os HUC (Hospitais da Universidade de Coimbra). Com a fusão dos hospitais, a criação dos CHUC (Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra), a questão das maternidades voltou a ser discutida.

Contrariamente à percepção generalizada, não falta trabalho nas maternidades de Coimbra. Em cada uma delas realizam-se aproximadamente 2500 partos e cerca de 18 000 consultas por ano. Segundo o Sindicato dos Médicos da Zona Centro (SMZC) que recentemente se pronunciou sobre este tema, a quantidade de partos realizada em cada uma das maternidades é superior à de outros Hospitais Centrais em Lisboa. O que se explica porque estas maternidades constituem a recta final para onde são enviados os casos complexos de toda a região, nomeadamente dos Hospitais de Leiria, de Aveiro, entre outros.

Denuncia o Sindicato que em ambas as maternidades há graves problemas de carência de recursos humanos. Não faltam parturientes. Pelo contrário, escasseiam os médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde. Acrescenta que tal põe em causa a continuidade da qualidade de assistência a grávidas e bebés, as escalas de urgência e a manutenção do protocolo de acompanhamento com os cuidados de saúde primários que comtempla três consultas e ecografias em fases essenciais da vigilância da saúde da grávida.

Divulga ainda o Sindicato dos Médicos em nota à comunicação social que, em Novembro último, 25 médicos da Maternidade Bissaya Barreto, em carta que lhe foi dirigida, exprimiam diversas preocupações. Referem os médicos: “funcionamento condicionado do 4.º piso da maternidade com lotação muitas vezes completa do 3.º piso com as questões de conforto, ruído, diminuição do apoio à amamentação, risco clínico e infeccioso, falta de humanização existindo mães com filhos em cuidados intensivos em risco de vida ou que sofreram a sua perda, ao lado de mães com recém-nascidos saudáveis; falta de recursos humanos médicos com ausência de novas contratações desde há 10 anos; insatisfação dos profissionais de saúde e seu esgotamento, desmotivação, revolta e decepção com a actual situação”.

É evidente que a situação das maternidades de Coimbra se aproxima da ruptura. E não será este o cenário que alguns mais desejam? Um cenário em tudo favorável à imposição de medidas como a fusão, justificada pela falta de pessoal. Um cenário, que como tantas vezes tem vindo a ocorrer no Serviço Nacional de Saúde, escancara as portas aos interesses privados. Não haverá por aí já quem faça contas para a abertura de uma maternidade privada?
Ora, Coimbra merece melhor. A saúde da população da região centro exige que se inverta esta situação. Em especial, as grávidas, as mães e os bebés da região centro merecem muito mais e melhor.

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