Opinião – Relatos e relatórios

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Aires Antunes Diniz

Aires Antunes Diniz

No final de alguma grande realização há sempre ou talvez não um relatório. Mas se for do Poder este será sempre falseado, pois esconderá falhas, mesmo que elas estejam subentendidas nas entrelinhas onde se escondem as verdades não ditas. Assim a propósito de uma Exposição Agrícola aonde foram muitos dos senhores da nossa terra e do nosso capital agrícola:

“O relatório dos delegados de Coimbra e Aveiro pedia e deram-se louvores a diversos auxiliares, tais como os governadores civis de Coimbra e Aveiro, presidente da junta distrital, e agrónomo de Coimbra, o qual fora de uma solicitude verdadeiramente excecional, escritor Marques Gomes, de Aveiro, e, por proposta do sr. Eduardo Coelho, foram ainda louvados os srs. Francisco de Sousa Nazaré, e Arnaldo Dória, que na cidade do Mondego haviam sido colaboradores decisivos”1.

A verdadeira opinião será sempre a dos historiadores, que forem capazes de ultrapassar as barreiras dos textos que expressam o louvor dos senhores. Tive na análise deste tempo a felicidade de encontrar textos em Bragança e Vila Real, que contavam os temores e falta de diligência dos senhores locais. Fui sendo, por isso, capaz de ver um pouco do que falta neste relatório oficial, em particular da “Phyilloxera vastatrix”, aqui referida de raspão, mas que era o verdadeiro problema que empobrecia o Douro e …todo o país…

Nos últimos dias, os arautos e defensores da continuidade do desastre governativo afadigaram-se na propaganda dos benefícios do governo PAF, recebendo em troca refutações da racionalidade e democraticidade dos governantes que, contra as regras constitucionais, queriam impor uma solução que só é legal nas juntas de freguesia e câmaras municipais, obrigando o PR a outro raciocínio.

Adivinhamos sem custo que os historiadores do futuro e, até, os cronistas do presente tenham grandes dificuldades em acertar com a verdade. Terão de ter cuidados redobrados e ver o que manda a Constituição para que desenleiem os laços, que alguns persistem em embaralhar para dar de novo um jogo viciado, em que todos podemos perder. Por agora, apenas perdemos tempo com um governo fugaz, mas, momentaneamente voltámos a ter esperança de que algo corra bem na governação.

Custa-nos agora duvidar, mas alguns governantes já os conhecemos, e só desejamos que tenham ganho a experiência do que não devem fazer. Dos inexperientes espera-se que saibam através da história o que devem fazer e, assim, dar novas perspetivas ao nosso futuro, dando esperanças e certezas a todos de que o desemprego, as falências e a emigração vão parar de crescer e de que até podem retroceder.

Haja esperança.

1 Relatório da Exposição Agrícola de Lisboa, realizada na Real Tapada da Ajuda em 1884, Imprensa Nacional, Lisboa, 1885, p.22.

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