Opinião – Folclórico da Universidade em noite cultural

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MÁRIO NUNESMário Nunes

Em 23 Outubro de 1987 e integrando o programa elaborado para efetivar o 1º. Encontro sobre a Alta de Coimbra, organizado pelo GAAC-Grupo de Arqueologia e Arte do Centro, encontro que lançou as bases para a atual candidatura de Coimbra a Património Mundial (leia-se o Livro de Atas, editado pelo GAAC), fez a sua primeira aparição em público, no auditório da Faculdade de Letras, o Grupo Folclórico da Casa do Pessoal da Universidade de Coimbra, dirigido, então, pelo docente universitário doutor Nelson Correia Borges.

Um projeto relevante pelos objetivos colocados na sua criação e, ainda, mais significante por ser a Universidade a dar guarida e avalizar a fundação de um grupo de folclore. Surpresa, porque, infelizmente, uma parte significativa de professores manifestaram descontentamento, não compreendendo, então, e ainda hoje acontece com uma minoria, que o folclore e a etnografia fazem parte integrante da Cultura, erradamente dividida em erudita e popular, porque a Cultura é una, pertence ao homem e está no homem, logo separá-la constitui um erro cultural. As elites inteletuais têm o seu espaço de investigação e estudo, enquanto o povo tem a força cultural no seu saber empírico mas dotado da experiência que falta a muito inteletual. Felizmente, o Reitorado daquele período e um Professor universitário, souberam olhar longe e não apenas para o umbigo, para a torre da Universidade.

Naquele Encontro foram apresentadas as linhas mestras de orientação do grupo: recolha, estudo e divulgação das tradições populares de Coimbra e arrabaldes, particularmente no que respeita a trajos, dança e cantares, desde finais do século XVIII até ao século XX. E, com aquele estatuto identificador alusivo à formação do grupo, este afirmou-se, gradualmente, no tempo e no espaço, a nível nacional e internacional, sendo atualmente uma instituição de respeito e prestígio que representa orgulhosamente a Universidade e mostra ao mundo que a Escola Superior é diferente na grandeza do seu saber e independência, no contexto universal das universidades mundiais.

Decorre a XV Semana Cultural da Universidade. Naturalmente e por dever, nosso entendimento, todos os departamentos e faculdades que a integram, “obrigam-se”, como criadores e cultores de cultura e ensino, a contribuir para a realização e até organização da jornada cultural. O Grupo Folclórico, desde a primeira hora soube entender a mensagem. E, na sequência das anteriores participações voltou a colaborar na iniciativa. Porém, atento à dimensão geográfica da Universidade, hoje espalhada por diversos espaços da cidade, como referiu o atual presidente, dr. David Duarte, descentralizou o local do espetáculo. O centro Paroquial de S. José recebeu sábado a manifestação folclórica. A assistência soube saudar os grupos que atuaram: da Universidade e o convidado “Camponeses da Beira-Ria, Murtosa. Um programa adequado ao tema deste ano desenrolou-se entre a pureza da água da fonte, o caudal do Mondego e a imensidão do mar, com os dois grupos a trazerem ao auditório temas apropriados. Inclusive o cenário e a coreografia balizaram a capacidade dos grupos, testemunhado numa exibição bela e gratificante, a que não faltaram as poesias de Fernando Pessoa e Augusto Gil. Faltaram, sim, os representantes da Universidade, da Câmara e da AFERM, substituídos na entrega das lembranças e nas palavras pelo Cónego João Castelhano e pela nossa pessoa. Parabéns ao grupo.

 

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