Terreiro do Paço foi o Terreiro do Povo, rumo ao 22 de Março

Rita Rato

Chegavam pessoas vindas de todas as ruas e traziam às costas casacos, farnéis e confiança. Chegavam homens, mulheres, crianças e jovens vindos do país inteiro.

Muitos saíram quase de madrugada das suas casas para rumar ao Terreiro do Paço e construir aquela que foi a maior manifestação dos últimos 30 anos.

Distribuíam-se sorrisos e bandeiras, panos com padrões de freguesias, pancartas que falavam da luta das populações por melhores serviços médicos, exigiam a reabertura da estação de correios, pela defesa do Ramal da Lousã, contra o aumento do preço dos transportes.

Vinham rios de gente em luta, homens e mulheres empunhando faixas que diziam não à exploração e ao empobrecimento, não à desregulamentação dos horários de trabalho, não ao encerramento da Unicer, pela viabilização dos Estaleiros Navais, pelo aumento do salário mínimo, não ao despedimento de professores.

Desaguavam no Terreiro do Paço milhares de homens e mulheres gritando bem alto a sua combatividade na defesa do emprego com direitos, da valorização dos salários, por um país desenvolvido e soberano.

Lia-se nos seus cartazes “Há fome em Castelo Branco”, “Reponham a Ferrovia Coimbra-Serpins”, “Braga 2012 – Capital Europeia do Desemprego e da Precariedade”.

Ninguém quis faltar. Eram trabalhadores das artes e espectáculos em defesa do direito à cultura, viticultores do Douro, pescadores, pequenos e médios empresários a exigir uma política patriótica e de esquerda capaz de dar resposta às aspirações do povo e aos problemas do país.

Centenas de milhares de homens e mulheres com a dureza da vida marcada na face não baixaram os braços e fizeram do Terreiro do Paço o Terreiro da luta pela dignidade e exigência de uma vida melhor.

A unidade, a justeza, a solidariedade, a fraternidade que se respira na luta, nesta luta, encheu-nos a todos de confiança para continuar a exigir a derrota do Pacto de Agressão da Troika, que pela mão de PS, PSD e CDS quer impor ao país a sua ruína.

Neste Terreiro do Povo arranjaram-se novas forças para continuar a lutar por um Portugal com futuro e começar desde já a preparar a Grande Greve Geral de 22 de Março.

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