As noites de Coimbra

Monsenhor João Evangelista

Já lá vai o tempo que as noites de Coimbra brilhavam com o luar, as serenatas e a poesia da vida. Agora, (não é por saudosismo puro que o afirmo) não é assim.

Os holofotes mais poderosos não conseguem disfarçar a escuridão que envolve as noites de Coimbra.

É uma escuridão que cobre muita gente nova, vestida de futrica, sem aparente liderança, nem objectivos que possam justificar tais aglomerados. Não gozam de imunidades perante a lei, mas procedem como se as tivessem e fossem privilegiados para tomarem conta das ruas durante toda a noite (da meia noite até às 5h).

O desprezo pela população residente que precisa de dormir (trabalhadores, estudantes, doentes e idosos) é sem limite. Os concursos de berros individuais ou em grupo atingem decibéis de fazer corar qualquer embriagado. Não cultivam a música, nem o teatro nem a dança. Está, por ali, de pé, sentados, deitados.

Que se trata dum fenómeno social totalmente à margem do respeito que nos devemos uns aos outros e que reclama a intervenção dos vigilantes da ordem pública não há dúvida. O lixo que fica nas ruas, nas escadas, nos peitoris das janelas ou nas entradas das casas é clamoroso. As pedras do monumento nacional estão a suportar e a serem conspurcadas com as piores porcarias.

Alguém tirará proveitos dum desconchavo destes?

Os jovens, não com certeza, são inimputáveis, e os residentes muito menos.

Pobres jovens que nem sonhar podem, pois o tempo de dormir é pouco. E a saúde desta gente não ficará abalada para a vida inteira?

Alguém tem de pôr mão nisto. Há leis que não se cumprem.

O turismo passa por aqui em grandes grupos e repara nesta selvajaria.

Haja um Deus que nos governe.

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