TUMO quer crescer em Portugal com modelo pensado para municípios mais pequenos
TUMO abriu em Coimbra em 2023 | Fotografia: Arquivo - Pedro Filipe Ramos
O programa educativo TUMO, centrado em tecnologias criativas, já conta com três centros no país e espera crescer com um novo modelo pensado e adaptado para municípios de menor dimensão.
O TUMO, programa que cruza tecnologia e criatividade nascido em 2011 na Arménia, teve o seu primeiro centro em Portugal em Coimbra, em 2023, abriu depois outros dois em Lisboa e Matosinhos (servindo também Porto e Gaia) e prepara-se para estrear um novo modelo, intitulado 4×4, em Setúbal, um formato de menor dimensão.
“Temos tido muitos contactos de municípios”, disse à agência Lusa a diretora executiva da TUMO Portugal, Filipa Cunha, referindo que há a perspetiva de continuar a expandir, “mantendo a qualidade do conteúdo”, sobretudo a partir de um novo formato que irá estrear em novembro em Setúbal, pensado para 150 alunos (os três centros têm capacidade de 1.500 jovens).
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Esse modelo de formato mais reduzido permite dar resposta a municípios mais pequenos e a menores disponibilidades financeiras.
Para Filipa Cunha, a perspetiva de crescimento do TUMO em Portugal deverá agora passar, sobretudo, por esse modelo, que permite descentralizar o seu programa e aplicá-lo fora dos grandes centros urbanos.
“Queríamos retirar esta ideia de que estas coisas só acontecem nos grandes centros urbanos, então criámos um modelo adaptado ao nosso contexto e a municípios mais pequenos ou com menos capacidade financeira”, aclarou.
O TUMO, como centro, apresenta dez áreas distintas que jovens dos 12 aos 18 anos podem explorar, como robótica, programação, design gráfico, videojogos, cinema ou música, sempre aliando tecnologia e criatividade, tendo adicionado este ano dois novos módulos: modulação 3D e inteligência artificial e generativa, afirmou Filipa Cunha.
Os estudantes estão um máximo de quatro horas por semana no TUMO, que funciona como um espaço de atividades extracurriculares, com duas metodologias – autoaprendizagem e ‘workshops’.
Normalmente, o jovem está quatro semanas em autoaprendizagem e quatro semanas em ‘workshop’, momento em que tem de desenvolver projetos específicos, com a ajuda de formadores que são profissionais na área em questão.
“Em Portugal, as áreas mais procuradas são fotografia, desenvolvimento de jogos e música”, disse.
De momento, os três centros estão perto da ocupação máxima (1.500 em cada) e todos têm cerca de 200 jovens em lista de espera, visto que há horários com muito mais procura que outros, explicou.
Para Filipa Cunha, apesar de ser um programa centrado na tecnologia, a vertente humana “é absolutamente fundamental”, sublinhando que os próprios jovens salientam esse aspeto quando avaliam a experiência.
“Eles sentem que estão em casa, que podem aprender sem medo de errar, que é uma das coisas que eles dizem muito e a flexibilidade – o facto de conseguirem explorar à vontade”, recordou.
Do ponto de vista social, Filipa Cunha destaca a melhoria nas relações sociais.
“Nós temos muitíssimos casos de jovens que deixaram de acreditar muito na potencialidade do social por más situações na escola. É lamentável ter jovens em idade escolar e que não conseguem encontrar na escola, que é onde passa a maior parte do tempo, bons exemplos daquilo que são interações sociais. Isso parece-me dramático”, notou.
Ao ser gratuito, os centros procuram também ter uma grande diversidade de origens nos alunos que por lá passam, disse.
Segundo Filipa Cunha, os três centros TUMO têm uma média de 35% de jovens “com algum tipo de vulnerabilidade”, seja apoio social, necessidades educativas especiais ou outras.
“Temos miúdos que poderiam ter isto tudo, mas muitos miúdos que nem computador têm em casa”, constatou, sublinhando que os próprios centros reforçam a comunicação para chegar a escolas e a famílias que estariam mais vedadas deste tipo de oportunidades.

