Os filhos da burguesia, os “nem nem”
Os telejornais abrem com 100 pessoas que se manifestam por razões legítimas e que se não tivessem tanta cenografia seriam fáceis de apoiar e seguir! Hoje esta agenda dos media carrega provavelmente mensagens e takes escolhidos para o ecrã. As câmaras não largam os parcos manifestantes que cumprem a agenda e o sonho revolucionário de Mariana Mortágua.
Hoje os jornalistas incentivam a indumentária, as extravagâncias, escolhem o inenarrável, tal como na eurovisão, onde a roupa é mais importante que a voz ou a música. Aparece “o frenético” vestido com a lingerie da mãe, o homem duvidoso com arganelos, os infalíveis lenços palestinianos, a berraria e a histeria. São sempre os mesmos e todos parecidos, porque “fardados das convicções” como bem descreveu Baudrillard.
Hoje ser progressista implica ser lgbgt turbo especial, obriga a defender o esforço palestino contra Israel, coloca dúvidas de género, tem certezas sobre a humanização animal, lutar pela agenda woke, hierarquizar as guerras e os conflitos (o de gaza é o mais importante) e sobretudo carrega uma indumentária onde regressam os símbolos de um tempo assassino. Hoje sabemos que Castro, Estaline, Mao, Pol Pot, etc foram desumanos e impiedosos nas suas escolhas e caminhos. A desumanidade não teve esquerda nem direita. A desumanidade fez valas comuns em ambos os territórios.
A credibilidade reduz-se na inversa da extravagância para a maioria silenciosa que no fim é quem escolhe o caminho!
Seduzir a maioria silenciosa é o caminho da mudança e o modo de levar as decisões políticas. Mas vivemos esta mediocridade conduzida pelo princípio burguês da esquerda! São os filhos da burguesia, os “nem nem” que tentam conduzir a classe operária! Lenine explicaria, se voltasse, que já não existem nobres nem operários e, portanto, será fundamental redesenhar as estratégias da esquerda.
Até lá, esta construção de notícias nauseante, pela repetição e pelo diletantismo, afasta a maioria silenciosa que se farta de trabalhar para fazer face ao custo de vida!
Sim, a vida está muito difícil para muitos, mas os “nem nem” que rodeiam uma certa liderança burguesa não os cativam e não os atraem. O problema é que a maioria silenciosa ouve José Luís Carneiro apelidar os figurantes das televisões de movimento popular, apercebe-se da tentativa de construção de um cenário e não adere. A maioria silenciosa quando se zanga vai à rua, como o fez meio milhão de cidadãos contra as políticas “além da troika”, como quase um milhão liderado por Mário Soares em Julho de 1975. O povo está consciente de que o PS esteve oito anos no governo e nada alterou para que vivêssemos melhor. Aliás esses tristes anos tiveram o beneplácito de Mariana Mortágua – a das barracas no Rossio agora!
O mundo é contruído por uma larga maioria de gente cinzenta que representa o lobo frontal da humanidade. É uma massa que expressa de modo pouco claro, mal definido, porém determinado aquilo que pode e não deve ser a legislação e a opção política. A maioria silenciosa ainda não perdoou a geringonça do Diabo como o nomeou Passos Coelho.
O Sporting faz-me lembrar a situação actual: depois de muita nobreza na liderança, depois de muito conversa e nomeáveis fracassos veio um desabrido, um desgovernado e fez-se a revolução. Seguiram-se dois campeonatos e uma agremiação poderosa em várias modalidades. Será o Ventura um Bruno de Carvalho?

