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Opinião: Versos do Tempo, Vozes do Património – O “FRA!”

25 de junho de 2025 às 10 h16

Neste fim-de-semana passado celebrou-se, no meio de outras festividades Juninas, os 700 anos da morte do Rei Trovador num espectáculo comemorativo sob o mote “Versos do Tempo, Vozes do Património”.

Entre as várias demonstrações artísticas de música antiga, dança e Fado Bárbaro (vulgo, de Lisboa) ressoou pela Voz do Prelado do nosso Património um… caricato FRA!

Este grito Académico, personificação vociferada da alegria Estudantil assumiu uma forte componente identitária e patrimonial, sendo que parece-me perfeitamente enquadrado no tema uma defesa de honr…explicação sobre as suas várias componentes.
Um dos grandes impulsionadores do grito foi Divaldo Gaspar de Freitas. Filho de pais de Cantanhede, foi criado no Brasil, e veio estudar para Coimbra onde era fã assíduo de jogos de futebol. Na Queima das Fitas de 1938, que se realizou no Jardim Botânico, um grupo de Quintanistas de Medicina reuniu-se para preparar brincadeiras e cantares às raparigas. Divaldo lembra-se da visita de uns colegas Brasileiros um ano antes, na República dos Cágados, e que pertenciam à Frente Revolucionária Académica contra o regime ditatorial de Getúlio Vargas.

Propõe então adoptar o grito deles e lançar como brado inicial o FRA/FRE/FRI/FRO/FRU.

Como é intemporal na juventude, reinava sempre uma saudável competição para ver quem é que conseguia ser mais original e engraçado e colher mais frutos desejados (as meninas). Assim, numa tentativa de criarem um grito que só eles sabiam acrescentaram outras palavras com o intuito de formar um trava-línguas. Dos jogos de futebol adoptaram o “Aléquá” (Aliquá) e o “Hip-Hip Hurrah” e foram buscar a uma música de Ary Barroso que estava na moda o “Chiri-biribi quá quá (tá tá)”. O equivalente ao “tralalero tralala” da altura, portanto.

Após meia dúzia de ensaios, lá iniciaram a ronda às raparigas. Avistavam o alvo, formavam um cordão e despejavam a cantilena. Ao que se relata, não tiveram muito sucesso. Mas certo é que no dia seguinte, dia do Cortejo, muitos grupos de grelados e fitados bradavam por todo o lado o FRA!

Esta brincadeira teve um enorme sucesso tanto para bem, como para mal. Para bem no sentido em que o grito tornou-se bandeira dos Estudantes. Para mal porque o seu propósito de ser um trava-línguas levou a uma imensidão de deturpações e tentativas de imitação, como por exemplo os comuns erros de dizer “Chiribi” ou ficar-se preso no “ÉFFE” em que a metade final morre de expectativa pelo caminho..!

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