Opinião: OE: A grande peça que ninguém pediu
Cá estamos, mais uma vez, naquela época do ano em que o país se transforma num grande palco de vaudeville. O protagonista? O Orçamento do Estado. Todos os anos, como se de um ritual se tratasse, políticos, comentadores e, claro, o próprio Estado, vestem os seus melhores trajes para este festival de promessas, cortes, e um “muito bem, mas onde está o dinheiro?” que nunca falha.
Claro que, num país como o nosso, onde o Estado tem mais peso que um elefante sentado num banco de jardim, não há como escapar ao evento. Mas, afinal, o que seria de nós sem este gigante que paga salários, constrói estradas e nos cobra impostos até pelo ar que respiramos? O OE para 2025 está a ser discutido como se estivesse em jogo o último bolo-rei da Consoada. Todos parecem estar em desacordo, como de costume, abrilhantando a nossa democracia que sem esta troca de “salamaleques” anuais e argumentos mais vazios que as carteiras dos contribuintes, estaria arruinada.
Falemos do impacto: promessas de “sustentabilidade” e “responsabilidade orçamental” fazem-nos questionar se o Estado não está a caminhar sobre um fio de arame, tentando evitar de novo o abismo dos défices. E o povo, os comuns mortais contribuintes, a aguardar para ver quanto mais se pagará em impostos, com o Governo a garantir que “é para o nosso bem”. Como se não fossemos já especialistas em contorcionismo financeiro. Este ano, o grande chavão é “crescimento sustentável”. Prometem-se milagres, enquanto por detrás das cortinas o Estado ajusta os números e garante que, no final, o verdadeiro vencedor é o próprio Estado.
E assim, ano após ano, o Orçamento do Estado transforma-se num “Groundhog Day” político: progresso que nunca chega, debates de calculismo partidário, e o público – nós – a pagar o bilhete. E o pior? Não há intervalo. No fim, e no fundo, a “agitação” em torno do Orçamento do Estado é mais um daqueles eventos que nos lembra que, neste país, o verdadeiro milagre não está nos números apresentados, mas na nossa capacidade de nos adaptarmos a eles, ano após ano.

