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Opinião: Ética e tecnologia

02 de junho de 2025 às 09 h26
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O avanço da tecnologia obriga a refletir sobre o mundo atual em que vivemos e sobre o nosso lugar no mundo digitalizado que habitamos. A ética digital é o estudo do comportamento ético e profissional nos meios digitais, que facultam dados em fluxo aos sistemas informáticos, e neste sentido, é importante ter uma visão ética sobre este ato social, fundamental e útil para o tratamento da informação.

Destarte, a ética aplicada ao mundo digitalizado procura uma mediação entre o ser humano e a tecnologia em termos de uso responsável. Realmente, a dimensão ética, neste âmbito específico, ambiciona preservar o ser humano e a sua dignidade como pessoa frente ao desafio do progresso tecnológico.

Inquestionavelmente, a dimensão ética associa-se a um marco regulatório que visa fortalecer os direitos individuais e coletivos, para garantir a inclusão e o bem-estar dos utilizadores e de todas as partes envolvidas no uso das ferramentas tecnológicas. Na verdade, têm surgido regulamentações para disciplinar e proteger os seres humanos na esfera digital, no que concerne à transparência, à maledicência, à utilização responsável das tecnologias, à justiça e equidade, à liberdade e autonomia e, por fim, à auto-confidencialidade das informações privadas. Estas referências impõem o uso responsável das redes digitais, da ética no uso dos dados pessoais e na utilização da inteligência artificial.

Neste ambiente digital, a prática ética relevante para que seja possível utilizar a Internet com segurança e responsabilidade, impõe discutir e saber até onde a tecnologia pode ir, sendo deste modo igualmente importante conhecer os efeitos negativos de não utilização das tecnologias, que podem assumir a forma de manipulação de mercados, de seleção de informações e de desfavorecimento das micro, pequenas e médias empresas.

A ética no ambiente digital, independentemente das inúmeras regulamentações, não é exigida por lei, no entanto, está estritamente dependente da maneira como cada empresa ou indivíduo atua no meio, o que exige uma elevada consciência dos seus atos nos relacionamentos profissionais, em razão de não existir ainda para aquela um esboço de um princípio unificante. A necessidade de refletir sobre o fundamento da ética digital está associada ao facto de o ser humano viver numa sociedade nova, na qual as tecnologias de informação e comunicação (TIC) têm um papel transcendente, que determina uma nova ética focada no princípio da responsabilidade.

Nas sociedades analógicas, os indivíduos eram testemunhas diretas de quase todas as consequências dos seus atos, tendo em consideração que os efeitos gerados pelas suas ações, na generalidade, não transcendiam o seu campo visual ou o perímetro da ação direta. Na era digital, todavia, assiste-se a uma crescente rede global de dependências assente em tecnologias bastante robustas, em que a relação causa-efeito é dificilmente reconhecida, o que significa que nesta era globalizada poucas ações individuais são acompanhadas da consciência das suas consequências. Na verdade, nem mesmo os piratas informáticos reconhecem as suas vítimas, e por este motivo só uma reduzida parte das nossas ações ou omissões é gerida por valores e sentimentos morais.

Na prática, através das novas tecnologias agregadas à web, é possível causar prejuízos elevados em momentos e lugares geograficamente distintos, sem mesmo ter conhecimento da situação. Isto acontece porque os indivíduos trabalham num quadro de interdependência fora do seu controlo. Posto isto, o teórico da sociedade de risco – Ulrich Beck – o sociólogo alemão (1944-2015) -, afirma convictamente que não é possível existirem soluções individuais para paradoxos coletivos. Nesta sequência de raciocínio, a ética digital não se deve restringir unicamente ao individual, mas adotar uma faceta coletiva, pública e profissional.

Os problemas ético-sociais relacionados com as tecnologias da informação, numa sociedade em rede, fusionam-se inteiramente e são potenciados pelo complexidade técnico – política, o que significa que as soluções técnicas oferecidas produzem continuamente novos desafios e questões ético-sociais cada vez mais graves e complexas. Sabe-se que o aumento da complexidade económica e social é acompanhada da falta de confiança nas relações comerciais e públicas.

Na verdade, para a complicação exige-se que as responsabilidades sociais sejam assumidas cada vez mais com maior consciência individual e coletiva, enquanto a confiança exige um aumento de controlo – direto ou indireto – sobre as pessoas, o que a tecnologia possivelmente oferecerá. O resultado, porém, é a violação da privacidade, ou seja, o benefício oferecido pela montagem de um controlo mais rigoroso, impulsiona problemas ético sociais derivados da crescente violação de privacidade. Esta situação impõe uma ética relativamente às TIC e, em simultâneo, exige-se uma elevada ética profissional a todos os agentes envolvidos, atendendo a que os riscos técnicos de maus funcionamentos são elevados.

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