Opinião: Cultura Portuguesa downunder
O coração da comunidade portuguesa em Sydney é Petersham, cujo centro é oficialmente “Little Portugal” desde 2020.
É a este pedaço de Portugal do outro lado do mundo que vou quando a saudade aperta e, fazendo agora de Isaltino Morais, começo pelo pequeno-almoço na Sweet Belem, onde sou cumprimentado com um “bom dia” e peço um expresso, sem resistir ao cheiro das natas acabadas de sair do forno. Na porta ao lado, escolho um par de vinhos entre Douro, Alentejo, Alvarinho, Porto. Sigo até ao fim da rua e entro no talho-mercearia para comprar bacalhau, olho para as pernas de presunto e os chouriços a pender do teto e dizem-me: “Leve um, que sou eu que os faço aqui!”
Na hora de regressar, sou tentado pelo cheiro a frango de churrasco na rua, vindo do Silvas e do Frango, que disputam a melhor “Portuguese Chicken” de Sydney.
E uma vez por ano, o festival Bairro Português de Petersham junta gerações para ouvir fado ao vivo, saborear vinho português e ver crianças correrem com bandeiras verdes, amarelas e vermelhas às costas.
E não podia faltar o desporto na comunidade. Na Casa do Benfica, camisolas autografadas e fotografias na parede são pano de fundo para encontros de gerações sobre tachos e travessas de metal e gargalhadas em português com sotaque. Vivi algo semelhante em São Francisco, há 15 anos, onde o jantar mensal, patrocinado por empresários portugueses de sucesso, juntava 100 pessoas à volta de um bife bem servido, vinho generoso e muitas histórias partilhadas.
Agora há um novo ponto de encontro desportivo com raízes Conimbricenses: o Indoor Padel, criado pela Catarina e João Segorbe, que já fizeram dos Santos Populares um evento anual imperdível, onde entre sardinhas na brasa, música e fitas coloridas, se trocam umas bolas.
E assim se prova que a alma Lusitana vai para além do nosso canto à beira mar plantado, chegando até ao canto oposto do planeta.
