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Opinião: “À Mesa com Portugal – Rabanadas ou Fatias de Parida”

20 de dezembro de 2024 às 15 h36
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Na minha terra, Tentúgal, às Rabanadas sempre chamámos Fatias de Parida e sempre as comemos em qualquer altura do ano. Talvez, a designação que lhe damos tenha a ver com a oportunidade que um pão, embebido em leite e ovos, e guarnecido com açúcar e canela representasse para as mulheres que, acabadas de dar à luz, sentiam necessidade de suprir o imenso esforço feito durante o parto. Apesar de hoje se ter vulgarizado o termo Rabanada, gosto de continuar a chamar-lhes Fatias de Parida, não por teimosia ou insistência na “tradição”, mas pela memória do aroma que pairava na cozinha quando a minha mãe as fazia. Talvez por isso este seja um dos meus doces preferidos da época natalícia, quase, quase à frente dos belhós. É que estes últimos é que eram para nós o doce de Natal. As Fatias de Parida faziam-se todo o ano.

Habitualmente, gosto de comer Fatias de Parida só mesmo nas vésperas de Natal. Não quero cansar o apetite antes de chegar à noite mais bonita do ano. Mas, este ano, não resisti, fui provando aqui e ali, não à procura da melhor ou mais saborosa, mas na expetativa de descobrir o encanto de cada receita. É que achar que só pode existir uma maneira de fazer Rabanadas ou Fatias de Parida é o mesmo que considerar que Arroz Doce só se pode fazer segundo um modelo de receituário. Felizmente que não, que cada um gosta de fazer à sua maneira.

Do leite à calda ou ao chá, sempre aromatizados por casca de limão, laranja ou vagem de baunilha. Ou ao vinho adocicado que em algumas partes se utiliza para embeber e aromatizar, tudo vale. O ovo é que está sempre lá, fundamental para depois dar textura e criar crocância. Depois, ora o açúcar e canela, ora calda simples ou mais requintada com um pouco de vinho do Porto, a opção é de quem faz. Quem prova, deve seguir a proposta de quem cozinhou.

Andei pelo Norte onde a Rabanada tem feudo e é símbolo gastronómico. Sem medos, corri atrás do meu apetite. Percebi que não me cansei de comer as várias versões que me foram apresentando. Deliciei-me com todas, surpreendi-me com algumas por não estar habituada ao padrão da receita. Regresso, em breve, às minhas Beiras, e sonho já com as minhas Fatias de Parida, aquelas que a minha mãe ainda faz tornando a noite de Natal ainda mais bonita e quente. Feliz Natal para todos.

Autoria de:

Redação Diário As Beiras

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