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Opinião: A economia colaborativa como produto da transformação digital

06 de outubro de 2025 às 11 h23
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A aplicação da economia colaborativa no mundo moderno pressupõe uma profunda alteração da mentalidade associada às relações económicas mainstream. De facto, a teoria económica predominante, baseada e incentivadora da escassez, apela a uma concorrência competitiva, oportunística e agressiva. Em contrapartida, a economia colaborativa incentiva o desenvolvimento de uma convergência emergente orientada para um estilo de vida diferente em que os indivíduos são motivados a participarem e assumirem uma conduta mais cooperativa, participativa e solidária. Nesta envolvente, é importante refletir sobre o consumo e a sua relação com os hábitos e a cultura regenerativa. Esta é entendida como um agregado de ações e de pensamentos que, associados, apelam a um novo mundo, no qual a natureza é a base de tudo e, em consequência, tratada como um ecossistema.
A economia colaborativa ou em rede, tem subjacente uma filosofia assente na troca e não na venda. Ou seja, os ativos e os serviços são trocados entre os indivíduos priorizando a divisão em detrimento da acumulação de bens. Este tipo de economia integra três nichos relevantes: reaproveitamento, habilidade compartilhada e um mercado de produtos e serviços operativo. O primeiro tópico está conectado com a redução de desperdício e tem como objetivo a permuta de bens em boas condições, e que, por isso, são passiveis de ser utilizados por outras pessoas; o segundo, desenha uma nova maneira de trabalhar, na qual uma pessoa que consegue fabricar algo, em vez de o monetizar, troca-o por outro serviço; por fim, as últimas tarefas materializam-se na partilha de um bem ou serviço, como, por exemplo, de um carro ou de uma bicicleta.
Consequentemente, esta economia impacta no mercado de trabalho e nos modelos de negócio, tendo por base um novo mindset de gerar relações económicas, que se afasta da tradicional e histórica troca monetária. Efetivamente, a economia colaborativa, em termos pragmáticos inicia-se e cresce com uma metamorfose ligada à forma como são estabelecidas as relações económicas, o que significa que separar as relações de consumo é vital para integrar esta filosofia.
Foi o advento da internet e o seu uso massivo que oportunizou e fomentou o desenvolvimento da economia colaborativa e viabilizou também a sua monetização. Na realidade, por meio da web, as pessoas que precisam de algo podem sempre encontrar alguém para oferecer. A economia colaborativa não é um processo estático, mas sim, uma ideia em constante movimento. Pressupõe, em termos práticos, a utilização de tecnologias para facilitar a troca de ativos entre duas ou mais partes que interiorizam a ideia de que é possível extrair valor dos ativos subutilizados.
Neste enquadramento, aproveitar a vantagem e a oportunidade da economia colaborativa faz todo o sentido, o que se torna mais evidente à medida que as gerações mais recentes representam a maior quota do mercado. O Spotify, a Netflix, o Airbnb e a Uber, são exemplos elucidativos. Todas estas empresas projetaram modelos de negócio inovadores, suportados pela disseminação das novas tecnologias e aplicações, orientados para evitar desperdícios e degradação dos recursos naturais. Assim sendo, a economia colaborativa valoriza as experiências da utilização em detrimento da posse, representando um importante segmento económico. Com efeito, a FORBES, em 2015, confirmava que as empresas que atuam neste setor trabalham num mercado de US 15 bilhões. E, ainda de acordo com um estudo efetuado pela PWC, até 2025, a economia colaborativa tem o potencial para gerar novas receitas na ordem dos US 350 bilhões. A economia colaborativa é deste modo uma nova forma de desenhar, construir e implementar os processos de organização social ligados à produção, distribuição e consumo dos bens e serviços.

Autoria de:

Marques de Almeida

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