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Opinião: 2025

28 de dezembro de 2024 às 15 h16
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Uma construção muito sustentável, bastante marcante, é a alteração do paradigma comercial que se desloca para a Ásia. Da China, Índia, Indonésia e tantos outros, surge agora um colosso de negócio. A Europa sucumbe na cultura da liberalidade democrática do eu, e dos direitos ínfimos, e do suporte social já dificilmente sustentado. Também nas decisões de deslocalização das indústrias para a Ásia. A queda de França, Alemanha e Inglaterra está em contracorrente com a recuperação da Itália. Por razões a perceber há uma subida fulgurante dos conservadores democráticos em todos estes países. Os “trabalhistas” de hoje estão longe dos de há duas décadas.
As ditaduras asiáticas, onde agora se acolhe a velha Rússia, marcam o ritmo da industrialização, da tecnologia, das sociedades supercontroladas e padronizadas. O gosto é balizado nas aplicações e nos motores de pesquisa. A orientação de objectivos é definida pelos poderes imperiais em que os grandes chefes definem os que mandam e como o devem fazer. As escolhas são avaliadas pelos resultados e garantem mudanças se o lucro baixa, se a audiência reduz. Os projectos de atracção devem ser mantidos e sofisticados. O dinheiro na forma de aplicativo e em quantidades exorbitantes é o foco da vida nas sociedades não democráticas. Tudo o resto se diluiu de modo chocante para um conservador democrático como eu. Regras de boa educação desvanecem-se: há quem se penteie à mesa, há quem se filme desnudo nos lugares públicos, há quem case quatro vezes por ano, há quem exponha sem limites a sua sexualidade na rede social. Vender o corpo através de apps já não é lenocínio, mas serviços médicos propagandeados são crime. Respeitar idosos foi-se. Deixar passar uma senhora estranha-se. A educação perdeu importância pois a memória é o telemóvel. A eloquência do discurso dilui-se na vaidade da aparência. Estas sociedades produzem muito, mais acessível, menos duradouro e entendem que o antropoceno nas alterações do clima não importa. Se importasse reduzia-se o incentivo da natalidade. Se importasse reduzia-se o consumo de energia colocado nas novas tecnologias.
Estamos numa nova era onde a resposta de alguns regimes democráticos passa pela sugestão de Manuela Ferreira Leite: Suspender temporariamente a democracia. Temos de perceber os resultados obtidos por El Salvador na fronteira do direito legítimo, mas que conduziu o país ao turismo, à recuperação económica, à libertação do estigma da violência. O tempo dirá se haverá eleições, se o povo escolhe os mesmos protagonistas. Temos de interpretar o milagre económico de Miley com a redução da inflação para valores nunca imaginados, com a saída do déficit orçamental, com o regresso dos empregadores, com a linha de empregos a começar a inverter-se. A realidade Argentina é uma surpresa que obriga a raciocinar livre de preconceitos e estigmas.
A resposta do Ocidente à força da Ásia passa por uma reformulação do poder. Não sair da democracia, nem da noção de bem jurídico como a entendemos desde Claus Roxin, mas regressar ao bem maior que é a sociedade como um todo, ao processo colectivo como uma primazia sobre os indivíduos. Claro que temos de proteger a sociedade das decisões de maus governantes, utilizando a capacidade de fundar instituições superiores ao poder das figuras, instituições democráticas balizadas nos mais capazes e mais sábios. O nosso mundo está numa curva descendente se não acordarmos e refletirmos.

Autoria de:

Diogo Cabrita

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