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O Serviço Nacional de Saúde não está em colapso eminente

14 de janeiro de 2026 às 10 h43

O Serviço Nacional de Saúde tem estado no topo das notícias diárias, numa aparência de colapso eminente que felizmente se encontra longe da realidade

O Serviço Nacional de Saúde necessita de uma intervenção multifatorial que assegura a sua eficiência através da gestão de procura, retenção de profissionais e evolução tecnológica que garante a sustentabilidade

As portas de entrada do SNS terão de ser os Centros de Saúde tendo como objetivo evitar o recurso, às urgências hospitalares de casos não urgentes.

Para se tornarem eficazes é necessário garantir a atribuição de Médico de Família a toda a população.

Há, no entanto, também necessidade de alargamento dos horários, garantindo o atendimento de situações urgentes até mais tarde e aos fins de semana e nos maiores garantir a realização de alguns exames complementares, desviando o recurso aos hospitais.

Há também necessidade de dinamizar as unidades intermédias como o Serviço de Urgência Básica (SUB) para atender casos de menor complexidade.

O recurso ao SU hospitalar em casos não emergentes apenas deve ser admitido após triagem pelas linhas de saúde como o SNS 24 ou por referenciação pelos Médicos de Família, eventualmente para a realização de exame de diagnóstico

As consultas de especialidade necessitam urgentemente de implementar tempos de resposta garantidos e estratégias dilatórias para a marcação de consultas pelos serviços hospitalares deverão ser severamente combatidas

O SNS necessita de recursos humanos motivados, privilegiando a dedicação exclusiva com carreiras atrativas e salários adequados; as Unidades necessitam de autonomia de gestão que permita a contratação dos profissionais necessários, dos equipamentos e redução da carga administrativa.

O processo clínico único digital é um imperativo para evitar duplicação de exames e até de consultas

As teleconsultas, já em implementação no SNS, poderão contribuir para a diminuição da pressão pela procura de consultas, em tantas situações que não necessitam de acompanhamento presencial.

A nível hospitalar há necessidade de estimular a hospitalização domiciliária com acompanhamento médico que liberte camas hospitalares.

Também tem sido notícia o problema de internamentos, às vezes de longa duração de doentes com alta clínica.

Há, portanto, necessidade de reforçar a contratação de Unidades de Cuidados Continuados e de Unidades de Retaguarda quer no setor social quer no setor privado

Não podemos, no entanto, esquecer também a necessidade de colaboração da população, nomeadamente através de campanhas de formação e orientação para o correto recurso aos cuidados de saúde

Em resumo destaco o reforço dos Centros de Saúde, a triagem prévia obrigatória para recurso ao SU, a autonomia na gestão nas Unidades de saúde, prevenir a duplicação de exames, consultas de especialidade com tempos de resposta garantidos, melhoria da literacia em saúde da população

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