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O mosquito-tigre-asiático

07 de outubro de 2026 às 09 h30

Mede poucos milímetros. Tem o corpo negro, as patas listadas de branco e uma linha prateada no dorso. Chama-se mosquito-tigre-asiático e a sua presença merece atenção, não medo. Foi confirmada em três concelhos do Alto Minho. No comunicado de 30 de setembro, a Unidade Local de Saúde informou que não tinham sido encontrados mosquitos infetados nem identificados casos de transmissão local da doença de dengue.

Esta distinção é essencial. Encontrar o mosquito não significa encontrar a doença. Significa reconhecer um risco e agir para o reduzir. É para isso que serve a vigilância em saúde pública.

A fêmea do Aedes albopictus pode transmitir os vírus do dengue, da chikungunya e do Zika. Para isso, tem de estar infetada. Habitualmente, a infeção ocorre ao picar uma pessoa com o vírus no sangue, mesmo que não tenha sintomas. Por isso, vigiar mosquitos e identificar precocemente as infeções são tarefas complementares.

Detetada no Norte do país em 2017, a espécie foi identificada em 28 concelhos em 2025. As alterações climáticas ajudam a explicar a expansão. Temperaturas mais altas e mudanças nos padrões de chuva podem favorecer a sobrevivência e a reprodução destes mosquitos em novas regiões. Mas o clima não explica tudo. Os mosquitos viajam em pneus usados, em plantas, à boleia nos automóveis. E os vírus viajam connosco.

Doenças que associávamos aos trópicos deixaram de estar longe. Este ano, França e Itália registaram casos de dengue e de chikungunya adquiridos localmente, e não apenas importados por viajantes. A infeção pelo vírus do Nilo Ocidental, transmitido sobretudo por outros mosquitos, do género Culex, também tem sido registada em Espanha, na Grécia e na Alemanha.

Os médicos de saúde pública avaliam os riscos, investigam casos suspeitos e orientam medidas de prevenção. Com eles trabalham equipas que montam armadilhas, identificam espécies, analisam amostras e informam as populações. Só em 2025, a rede nacional de vigilância identificou mais de 44 mil mosquitos de 22 espécies. Quando este trabalho evita a doença, raramente é notícia. Mas significa menos sofrimento e mais pessoas saudáveis. A Medicina também se mede pelas doenças que consegue evitar.

A saúde protege-se muito antes da porta do hospital ou do centro de saúde. É essa a ideia da abordagem Uma Só Saúde (One Health), que a Ordem dos Médicos tem promovido. A saúde das pessoas, a dos animais e a do ambiente estão ligadas. Compreender essa ligação permite antecipar riscos e proteger melhor as comunidades.

Cada um de nós pode ajudar. O mosquito-tigre reproduz-se em pequenas acumulações de água. Basta o prato de um vaso, um balde esquecido no quintal ou uma caleira entupida. Esvaziar e limpar regularmente estes locais reduz os criadouros. Quem encontrar um mosquito suspeito deve comunicá-lo às autoridades de saúde.

O mosquito-tigre-asiático merece atenção, não medo. Lembra-nos que as alterações do ambiente também mudam os riscos para a saúde. A resposta está na prevenção, numa comunicação clara e na valorização de quem trabalha para que a doença não chegue a acontecer.

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