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O Carnaval de Buarcos precisa de se reinventar?

03 de novembro de 2026 às 10 h15

Nascido na Grécia Antiga, renovado no Império Romano, desenvolvido na Europa da Idade Média, controlado pela Igreja Católica e exportado pelos impérios coloniais, o Carnaval foi-se reinventando ao longo de séculos.

Dos mais célebres, do Brasil a Veneza, aos mais humildes, o Carnaval é verdadeiramente uma festa popular, de crítica social, em que, durante alguns dias, podemos transgredir as normas sociais vigentes.

O Carnaval de Buarcos, que atrai milhares de cidadãos, tem vindo paulatinamente a degradar-se. Não é fácil reinventar um festejo como o Carnaval. A vinda de atrizes e atores brasileiros já foi ensaiada com poucos resultados. E a característica popular do Carnaval “trapalhão” também foi lentamente decrescendo. Mantêm-se, e louvem-se as escolas de samba, que trabalham todo o ano, e alguns poucos carros alegóricos. Posto isto, que fazer? Podemos não fazer nada, nomear, como os governos, um grupo de trabalho e, dentro de três anos, teremos um extenso relatório sobre o Carnaval de Buarcos, que, entretanto, foi definhando.

A solução, na minha opinião, de não folião, poderá passar por interessar e apoiar as nossas coletividades, para que todas as freguesias do concelho participem com carros alegóricos, música, dança e, sobretudo, com a vivacidade do Carnaval “trapalhão”, que é a essência da festa popular.

Será fácil? Fácil não será, mas é um caminho possível face ao progressivo e inexorável esgotamento do modelo atual.

Aliás, como o modelo económico, social e político do país, que também ele precisa urgentemente de se reinventar.

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