Incêndios: Governo diz que Programa de Sapadores Florestais não é uma carreira
Foram entregues sete tratores para limpeza de bermas e criação de faixas de gestão de combustíveis | Fotografia: DB-Jot'Alves
O secretário de Estado das Florestas argumentou hoje que o Programa de Sapadores Florestais não é uma carreira profissional, diferenciando-o da Força de Sapadores Bombeiros Florestais, integrada no Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
Depois de interpelado, na Figueira da Foz, no litoral do distrito de Coimbra, à margem de uma sessão de entrega de equipamentos, por um sapador florestal sobre a questão da carreira daqueles profissionais, nomeadamente dos que exercem funções em autarquias ou comunidades intermunicipais, Rui Ladeira começou por recusar falar do tema na presença da comunicação social, mas acabou por responder às perguntas dos jornalistas.
“Não é uma carreira. O programa de Sapadores Florestais é um protocolo entre o ICNF e as entidades que apresentaram candidaturas e gerem equipas de sapadores. É um protocolo, tudo o resto, que é essa confusão e está agora a ser tratado, é no quadro dos bombeiros municipais e da Força de Sapadores Bombeiros Florestais, que o ICNF também tem, e no âmbito da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil”, alegou o governante.
“Portanto, são duas coisas completamente distintas. Não podemos é confundir o que é diferente, no mesmo pacote”, vincou Rui Ladeira.
O secretário de Estado adiantou ainda que o Governo tem trabalhado – sem, no entanto, precisar as questões em discussão – com o sindicato que representa os sapadores florestais, que tem exigido a valorização daqueles profissionais e a sua integração na carreira de Sapadores Bombeiros Florestais.
“Se alguém deu sinal positivo e de respeito pelo Programa de Sapadores Florestais foi este Governo”, frisou Rui Ladeira, aludindo ao aumento de dotação financeira, dos 55 mil euros para os 61.600 euros por cada uma das cerca de 420 equipas existentes no território continental.
“E equipámos todas as equipas de sapadores florestais com moto roçadoras, nunca tinha acontecido desde 1999”, enfatizou.
Na sessão de hoje, foram entregues sete tratores para limpeza de bermas e criação de faixas de gestão de combustíveis a sete municípios da Região de Coimbra – Figueira da Foz, Mira, Cantanhede, Coimbra, Soure, Lousã e Miranda do Corvo – no âmbito de um programa nacional que visa reforçar os meios disponíveis para a prevenção dos incêndios rurais e a gestão do território.
Segundo os termos do protocolo, a maquinaria é cedida gratuitamente pelo ICNF, em regime de comodato e cada município assume o compromisso de intervencionar, por ano, pelo menos 80 quilómetros de estradas e caminhos ou 80 hectares de faixas de gestão de combustível.
A cedência dos equipamentos integra um programa nacional financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que prevê disponibilizar 150 tratores aos municípios, num investimento de cerca de 27,5 milhões de euros.
Presente na sessão, o presidente da Câmara da Figueira da Foz, Pedro Santana Lopes, reconheceu que, com a entrega de equipamentos, o Governo não se esqueceu de uma “básica necessidade”, ligada às florestas, numa área, em Portugal, em que existe “muita insuficiência ainda, nomeadamente na dotação de meios”, observou.
“Confesso que [o trator] nos vai ser muito útil, aqui no nosso concelho, com 380 quilómetros quadrados de área (…). É um trabalho que tem de ser feito todo o ano, não só nos períodos críticos (…). Que nenhum trator fique parado”, exortou Santana Lopes.
No final da cerimónia, o presidente do município da Figueira da Foz – que, minutos antes, tinha dito não ter carta de condução de trator – subiu para os comandos da máquina e, coadjuvado por um sapador florestal de uma das equipas municipais, acabou por a ligar e mover uns metros, dentro do pavilhão onde decorreu a cerimónia, no quartel dos Bombeiros Sapadores.

