Empresas portuárias acumulam prejuízos
A Comunidade Portuária da Figueira da Foz pediu audiências a quatro ministros
e à presidente da CIM
As operadoras portuárias e as agências marítimas com atividade no porto da Figueira da Foz estão a acumular elevados prejuízos, devido às condições da barra, afiançou o vice-presidente da Comunidade Portuária da Figueira da Foz, Paulo Mariano, ao DIÁRIO AS BEIRAS.
O resultado da multiplicação dos dias em que a barra está fechada e assoreada é o desvio de navios e camiões para outros portos do país –Aveiro, Setúbal, Lisboa e Leixões.
“Os prejuízos são tantos que se torna difícil calculá-los”, frisou Paulo Mariano.
Por outro lado, o dirigente e empresário com atividade no porto da Figueira da Foz receia que alguns clientes não regressem, por, neste momento, segundo afirmou, o porto não ser considerado seguro pelo setor marítimo internacional.
Preocupada com a situação que se vive no porto da Figueira da Foz, a Comunidade Portuária local pediu audiências aos ministros da Economia, Infraestruturas, Ambiente e Mar. “Para lhes expormos o problema gravíssimo que temos na Figueira da Foz, que é estarmos há três meses consecutivos a trabalhar a 2% ou 3% da capacidade do nosso porto”, avançou Paulo Mariano.
Entretanto, está agendada para o próximo dia 23 uma reunião com a presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região Metropolitana de Coimbra, Helena Teodósio.
O comboio de tempestades também produziu efeitos no mar, amplificados pelo assoreamento da barra. E, para agravar ainda mais a situação, a draga que demorou a chegar e que dias após a chegada avariou, segundo Paulo Mariano, “não é adequada às caraterísticas da barra da Figueira da Foz, uma vez que não pode operar com vagas superiores a dois metros”.
Paulo Mariano imputou responsabilidades a quem, em Aveiro, cidade onde tem sede a empresa que gere os portos da Figueira da Foz e de Aveiro, contratou o serviço de dragagens.
Carlos Abreu, chefe de serviços de uma agência de navegação da Figueira da Foz, por seu lado, sustentou que “todos os anos se comente o mesmo erro de não se fazerem dragagens de prevenção” na barra da Figueira da Foz.
Quem arca com as consequências são as empresas que operam no porto. Carlos Abreu deu um exemplo da dimensão dos prejuízos causados pela “redução do calado” na barra, resultado do excesso de areia acumulada: “Um navio que devia carregar 7.200 toneladas só pode carregar 5.100”.
“Este mês foram carregados três navios, com meias cargas, contra a média de 40 navios mensais”, anotou, por sua vez, Paulo Mariano.

