Coimbra: uma cidade para estudar, trabalhar e viver
Uma cidade constrói o seu futuro também pela capacidade de acolher quem nela quer estudar, trabalhar e viver. Em Coimbra, a habitação tem uma importância que atravessa a Universidade, a economia local e a vida de todas as gerações.
Como antigo estudante de Coimbra, tenho acompanhado e reconheço o trabalho da Universidade e da Academia no apoio aos estudantes. Os serviços de acção social, as residências universitárias e o papel singular das repúblicas contribuem, de formas diferentes, para tornar possível a frequência do ensino superior e proporcionar uma experiência de integração que marca quem por aqui passa.
Esse reconhecimento encontra expressão concreta no investimento em alojamento. A reabertura das residências dos Combatentes e da Alegria, com 132 camas no conjunto, após requalificação, traduz-se em melhores condições de conforto, estudo e convivência. Os projetos das residências António José de Almeida, Luís de Camões e Monumentais dão continuidade a esse esforço. Os apoios ao alojamento fora das residências complementam a resposta disponível. Também a iniciativa privada merece reconhecimento. A transformação das antigas instalações da EDP, conjuga recuperação de património com alojamento equipado com espaços de estudo, convívio e desporto. São modelos distintos, cada um com o seu valor, que diversificam as opções de acolhimento. Importa que a oferta da cidade responda também a diferentes rendimentos.
Foi com satisfação que li no Diário As Beiras a notícia sobre as comemorações dos 139 anos da Associação Académica de Coimbra. Nessa ocasião, a direção-geral anunciou estar a preparar, com a Câmara Municipal, um projecto de resposta às necessidades de habitação estudantil. Identificar o problema, reunir parceiros e trabalhar em propostas corresponde à melhor tradição de intervenção da Académica. Essa intervenção também se faz no espaço público. Os protestos pela habitação que têm marcado os noticiários, sobretudo em Lisboa e no Porto, juntam jovens e menos jovens numa preocupação comum. Coimbra também se mobilizou, e estudantes da direção-geral da AAC participaram no protesto do Rossio. É uma participação que saúdo: o exercício pacífico do direito à manifestação e a construção de soluções podem reforçar-se mutuamente.
Importa dar consequência ao trabalho anunciado. Conhecer objectivos, destinatários, meios e prazos permitirá acompanhar o projeto e avaliar resultados. O esforço da Universidade e da Académica deve encontrar no Município e no Governo parceiros capazes de lhe dar continuidade.
Essa colaboração deve olhar para toda a população. Nem todas as pessoas que procuram casa em Coimbra são estudantes ou jovens. Há famílias que querem estabelecer-se, profissionais que chegam para trabalhar, pessoas que vivem sozinhas e cidadãos mais velhos que precisam de habitação adequada aos seus rendimentos e à sua autonomia.
A reabilitação de imóveis, a mobilização de património público, o incentivo ao arrendamento e a criação de oferta acessível podem responder a necessidades distintas e contribuir para a vitalidade dos bairros e do comércio. À Câmara cabe transformar essas possibilidades num programa de execução, articulado com transportes e serviços. Ao Governo cabe assegurar financiamento e estabilidade para concluir investimentos. Proprietários e entidades do sector social devem poder participar, com regras claras e confiança, bem como os resultados devem ser acompanhados.
Como conimbricense, vejo com satisfação uma Universidade que investe no acolhimento e uma Associação Académica que procura construir soluções. O objectivo comum deve ser permitir que mais pessoas encontrem em Coimbra uma casa e condições para construir o seu futuro.


