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Biotecnológica de Cantanhede cria primeiro medicamento para impedir progressão da osteoartrose

06 de novembro de 2026 às 11 h35
Equipa da Exogenus Therapeutics | Fotografia: Exogenus Therapeutics

Uma empresa de biotecnologia sediada em Cantanhede, no distrito de Coimbra, lidera um consórcio internacional financiado com 13 milhões de euros de fundos europeus para criar o primeiro medicamento que retarde ou impeça a progressão da osteoartrose.

À agência Lusa, Joana Correia, diretora executiva (CEO) e fundadora da Exogenus Therapeutics, explicou o âmbito da investigação científica em curso, com vista ao desenvolvimento da terapêutica inovadora para uma doença que é uma das principais causas de incapacidade a nível mundial.

O novo e inovador medicamento, que estará em desenvolvimento nos próximos cinco anos, “perspetiva-se que venha a ser um injetável, uma injeção intra-articular”, isto é, a ser aplicada nas articulações dos doentes com osteoartrose, revelou a especialista.

A osteoartrose é uma doença crónica e degenerativa que desgasta e destrói as cartilagens ósseas – tecidos que protegem a extremidade dos ossos nas articulações. A diminuição ou desaparecimento da cartilagem resulta em inflamação, dor e perda de mobilidade, afetando 08% da população mundial, predominantemente mulheres, e cuja prevalência aumenta à medida que a população envelhece.

“Continua a não haver medicamentos aprovados que alterem a progressão da doença”, notou Joana Correia.

Vincou que as terapias existentes até à data são direcionadas para o alívio da dor e da inflamação e, no limite, a osteoartrose obriga a uma intervenção cirúrgica de substituição articular, através de próteses parciais ou totais.

“Está mais do que demonstrado que esses medicamentos resolvem um pouco os sintomas numa fase muito particular da doença, que é a fase inicial. Mas, quando a doença evolui para um estado mais complicado, a cartilagem já está destruída e o paciente sente muita dor, porque o osso está exposto. Nessa fase, não há medicamentos que resolvam”, explicou Joana Correia.

“E o doente vai avançando na doença até um ponto em que, tipicamente, a solução, que também não é boa, é de substituição da articulação. Esta operação representa risco de vida, os doentes podem já ter uma idade avançada, podem ter outro tipo de complicações, como peso aumentado ou obesidade, e tudo isto são situações que seriam de evitar e a cirurgia em si representa custos avultados para os sistemas de saúde”, frisou a CEO da Exogenus Therapeutics, empresa que fundou em 2015, ligada às terapias emergentes e medicamentos regenerativos.

A também investigadora convidada da UC-Biotech – unidade de investigação do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra, localizada no Biocant de Cantanhede, na região Centro de Portugal – observou que o medicamento poderá ser injetado a pacientes com osteoartrose “que estão num estado bem diagnosticado, mas ainda não muito desenvolvido, em fase média-alta de desenvolvimento da doença”.

Os investigadores esperam, assim, que o novo medicamento possa alterar a progressão da doença e que os doentes nunca venham a precisar de recorrer à cirurgia de substituição das articulações e, “idealmente, não passem pelas limitações constantes da osteoartrose, nomeadamente a dor que é uma constante na sua vida”.

A tecnologia utilizada pela empresa de biotecnologia deriva de células do sangue do cordão umbilical, “células muito jovens, o mais jovens possível, se pensarmos em humanos, são células muitos privilegiadas do ponto de vista da componente celular”, e essa ‘juventude do sangue’, ilustrou Joana Correia, está na base do produto já desenvolvido, que poderá dar origem ao novo medicamento.

Parte do trabalho feito, nos últimos anos, focou-se no desenvolvimento de um processo de produção “que pudesse ser aceitável do ponto de vista da aplicação clínica”, e, segundo Joana Correia, entre outras ações, uma “parte importantíssima” da investigação incidiu sobre a demonstração da segurança do produto e da eficácia em diferentes doenças, tendo sido realizadas, para além da osteoartrose, provas de conceito no tratamento de feridas, perda de audição, inflamação de pele e fibrose pulmonar.

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