Benfeita faz a festa pela Paz e toca o sino 1620 vezes
Ao todo, são 1620 badaladas, num ritual que começa hoje às 14H30, e que se prolonga até domingo | Foto: DR
Há 81 anos que Benfeita não deixa a memória cair no silêncio. A pequena Aldeia do Xisto volta a cumprir, a partir de hoje, o ritual das 1620 badaladas do Sino da Paz – uma por cada dia da II Guerra Mundial – numa celebração única em Portugal.
Há oito décadas que a tradição não falha. No dia 7 de maio de 1945, o sino da Torre da Paz tocou pela primeira vez para anunciar o armistício na Europa. Do outro lado da linha, um telefonema vindo de Inglaterra – dado por um familiar de uma benfeitense – antecipava a boa nova à aldeia. O gesto, espontâneo e carregado de simbolismo, nunca mais foi esquecido.
Desde então, todos os anos, a comunidade repete o eco daquele momento histórico. Ao todo, são 1620 badaladas – uma por cada dia que durou o conflito mundial – num ritual que começa hoje às 14h30, e que se prolonga até domingo, dia 10, com um programa que cruza memória, história, cultura e participação comunitária.
Torre da Paz candidata a Monumento de Interesse Municipal
Esta edição da Festa da Paz ganha um contorno especial: a Torre da Paz, construída em 1945 por iniciativa do ilustre jurista benfeitense Mário Mathias, está formalmente em processo de candidatura a Monumento de Interesse Municipal (MIM). O objetivo, sublinha a Câmara Municipal de Arganil, é reconhecer o valor patrimonial, simbólico e identitário desta estrutura ímpar no panorama nacional – e quiá mundial.
O pequeno sino, fabricado em Almada na firma Manoel F. Couzinha, pesa apenas seis quilogramas mas carrega uma inscrição indelével: “Este sino tocou pela primeira vez a anunciar o fim da guerra da Europa em 1945”. A Torre da Paz, na Aldeia do Xisto de Benfeita, é talvez o único monumento do género no mundo construído especificamente para celebrar a paz do Armistício.
Programa une tradição, arte e gastronomia
As cerimónias começam hoje com as Badaladas da Paz (14H30), seguidas da apresentação pública da candidatura a MIM e da abertura da exposição “Memória e Totalitarismo na Europa”, do Instituto Mais Liberdade.
No sábado, dia 9, destaque para o percurso pela aldeia com declamação de poemas pelo grupo Triju (15H00) e para a atividade artística “1620 Fios de Paz”, que antecede um concerto do Grupo Coral 7 de Setembro e um lanche comunitário.
Domingo, dia 10, a programação inclui a apresentação do livro “Turismo Literário”, de Sílvia Quinteira (11H00), e uma novidade gastronómica: a Confraria do Bucho de Arganil apresenta o bucho de Benfeita, seguindo-se um almoço comunitário com o chef Flávio Silva. A tarde reserva ainda uma oficina criativa de “Pombas da Paz” e, para encerrar, um concerto pelo Grupo Prestige na Igreja Matriz de Benfeita.
