Coimbra

Alma da Coimbra Editora renasce com a Critical Software

28 de outubro de 2026 às 08 h15
Miguel Valério e Gonçalo Quadros orgulhosos com a reabilitação | Foto: Pedro Filipe Ramos

As velhas máquinas de impressão já não marcam o ritmo da antiga Coimbra Editora. Mas continuam lá, entre madeiras gastas, livros e marcas de quase um século de história.
Na rua do Arnado, o edifício que, durante quase um século deu corpo à palavra impressa, abriu ontem as portas a uma nova vida: a da Critical Software, que troca a tipografia pelo software sem querer perder de vista a missão que uniu as duas casas: criar e disseminar conhecimento.
“É um dia bonito”, disse Gonçalo Quadros, presidente do conselho de administração da empresa, ainda a viver a nostalgia de um projeto “muito intenso” que chega ao fim para dar início a uma nova etapa.
“O edifício não pode perder a sua memória”, defendeu o responsável, consciente da responsabilidade de receber uma herança com quase um século de história.
“Queríamos recuperar tudo o que nos pudesse ajudar a manter viva a alma deste edifício.”

A nova sede resulta de uma intervenção do arquiteto João Mendes Ribeiro, que recuperou o edifício de 1932 da antiga Coimbra Editora e projetou uma nova construção no espaço adjacente. No total, são seis mil metros quadrados, com capacidade para cerca de 600 trabalhadores.
A escassos metros da frente ribeirinha, o complexo preserva marcas da antiga atividade editorial. As vigas, o chão de madeira e outros elementos interiores do antigo armazém foram recuperados. A memória da tipografia e da impressão prolonga-se também na sinalética, feita com folhas de offset.
Entre os dois edifícios nasceu uma praça que se pretende aberta à cidade. Também o restaurante e a cafetaria, no rés-do-chão do novo edifício de quatro pisos, deverão contribuir para dar vida ao espaço para além da atividade da empresa. Há ainda planos para recriar experiências de impressão tradicional e envolver escolas, aproximando os mais novos de técnicas que fizeram parte da história do edifício.

Partilhar conhecimento
Miguel Valério, responsável global pela gestão de instalações da empresa, destacou o equilíbrio entre preservação e modernização.
“Conseguimos preservar a identidade do edifício, mas prepará-lo essencialmente para o futuro da empresa”, afirmou, considerando a obra um marco para Coimbra e para o percurso da tecnológica.
Apesar de ter capacidade para cerca de 600 postos de trabalho, o edifício deverá acolher, nesta fase, aproximadamente 400 pessoas.
Para já, a prioridade é instalar as equipas e dar vida a uma casa que mudou de função sem querer apagar aquilo que foi.
Na antiga Coimbra Editora, as letras são agora outras, mas mantém-se a ambição de produzir e partilhar conhecimento.
“São letras talvez de natureza diferente, mas estão na base do que somos e do que julgo ter sido a Coimbra Editora”, afirmou Gonçalo Quadros. Uma continuidade que a Critical Software quer preservar e honrar.
Efeito de contágio

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