À Lua!? Já lá fomos há 58 anos!
A cápsula Órion, da missão Artémis II, sobrevoou a Lua e está a caminho de casa, onde chegará na madrugada de dia 11. Bateu-se o recorde da maior distância a que algum humano esteve de casa: 406771 km. O record anterior pertencia à heroica missão Apollo XIII, que a 15 de abril de 1970 tinha atingido os 400171 km. A Apollo XIII ficou bem conhecida devido à explosão de um dos tanques de oxigénio, imortalizando-a como o mais impressionante “resgate” de astronautas conseguido nos limites de tudo quanto foi inteligência humana e otimização de energia trazendo de regresso à Terra toda a tripulação viva. Na verdade, devido a essa mesma operação de resgate, a Apollo XIII distanciou-se mais 160 km do que o previsto se a missão decorresse sem incidentes — porém, até hoje, já morreram 18 astronautas/cosmonautas durante o lançamento ou reentrada.
Os seres-humanos do momento são: Reid Wiseman, Victor Glover — o primeiro não-branco a sobrevoar a Lua, Christina Koch — a primeira mulher a sobrevoar a Lua —, e Jeremy Hansen. Ficarão na História, mas poucos decorarão os seus nomes. Os nomes do primeiro homem no Espaço: Iuri Gagarin, e dos primeiros homens na Lua: Neil Armstrong e Edwin Aldrin, serão imbatíveis para todo o sempre.
O regresso às viagens tripuladas à Lua é algo de extraordinário — por agora foi só o sobrevôo, para testes, estando prevista nova alunagem apenas em 2028, com a Artémis IV — mas não nos esqueçamos que estamos apenas a repetir algo feito há 58 anos, quando existiam menos computadores no mundo inteiro — ocupando cada um uma sala — do que existem hoje apenas no município de Coimbra e ainda nem existiam máquinas de calcular eletrónicas. Hoje, quando temos aplicações de IA que nos aliviam até da já muito simples tarefa de «procurar no Google», é-nos difícil de conceber que no início da Conquista do Espaço era necessário fazer cálculos à mão para sobreviver.
A Artémis II, está hoje a repetir um feito de dezembro de 1968, pela «lata de sardinhas» da Apollo VIII. O vôo é em tudo semelhante. A Artémis II prepara a alunagem da Artémis IV, da mesma forma que a Apollo VIII preparou a alunagem da Apollo XI. A Artémis foi lançada para a órbita da Terra, ficando em órbita 25 horas, testando todo o equipamento, antes da aceleração rumo à Lua, levando 96 horas a lá chegar. A Apollo VIII ficou 3 horas em órbita terrestre, levando depois apenas 68 horas a chegar à Lua. Frank Borman II, James Lovell Jr. e William Anders foram os primeiros humanos a ver com os seus próprios olhos a face oculta da Lua — cujas primeiras imagens tinham sido obtidas pela sonda Luna 3 em 1959. A Apollo deu duas voltas à Lua, tendo a Artémis dado apenas uma.
Se não houver sobressaltos, a cápsula Órion regressará à Terra no sábado, um dia antes do 65º aniversário da primeira viagem espacial de Iuri Gagarin. Se pensarmos que os humanos começaram a voar apenas em 1903 e 1906, com os irmãos Wright e Santos-Dumont, respetivamente, e em 1961 já estavam a voar no Espaço, parecerá estranho termos ficado 54 anos sem regressar à Lua. Mas a exploração científica e tecnológica do Espaço nunca parou. Hoje, temos cerca de 17000 satélites ativos em órbita — sem os quais a nossa sociedade entraria em colapso em apenas algumas horas — e quase 800 humanos já foram ao Espaço, 200 dos quais turistas. Em 2028, o consórcio liderados pelos Estados Unidos, iniciará a construção da Base Lunar Artemis na região do pólo sul lunar, enquanto o consórcio liderado pela Rússia e China, iniciará a construção da Estacão Internacional de Investigacião Lunar em 2030.
Esperam-nos momentos bem excitantes!
Imagem: Esquema das missões Artemis II e Apollo VIII.



