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A importância das Administrações Hospitalares

25 de fevereiro de 2026 às 10 h50

Já, por várias vezes, aqui aflorei as minhas dúvidas sobre as capacidades governativas dos conselhos de administração (CA) hospitalares, em geral, e dos seus presidentes, em particular. Embora conceda que alguns tenham tido atuações muito meritórias e bons resultados, parece-me que a maioria não tem atingido o nível de qualidade e eficiência que delas se podia (devia) esperar.

Muitos presidentes dos CA têm formação académica de valor que lhes permitiria desempenhar bem as suas funções como administradores de grandes empresas, que a maior parte dos nossos 39 grandes hospitais, desde há cerca de dois anos constituídos em Unidades Locais de Saúde (ULS), indubitavelmente são. Mas, na sua maioria, falta-lhes conhecimento das questões clínicas, parte essencial destas instituições, que não podem ser governadas a partir do assento que ocupam nos respetivos gabinetes.

Digo-o com conhecimento de causa porque muitos da quase uma dúzia de presidentes do CA do meu hospital, raramente se deram ao trabalho de visitar o serviço que dirigi durante mais de 30 anos, ali a dois passos. É certo que do CA faz parte um diretor clínico cuja principal função é exatamente a de coordenar a ‘governação’ dos serviços, por interação como os respetivos diretores. Mas estes diretores clínicos também não foram nossos visitantes assíduos!

Por outro lado, levantam-se muitas dúvidas sobre os critérios da nomeação dos presidentes dos CA e, por estes, dos respetivos diretores clínicos. Por princípio, “o Conselho de Administração é nomeado de acordo com os valores de idoneidade, experiência e competências profissionais para o desempenho dos cargos”, mas estas nomeações têm frequentemente uma forte componente política, sendo alinhadas com os partidos no poder, como pode depreender-se da substituição de pelos menos um terço dos CA hospitalares do País, no último ano e meio. Reconheço que, nalguns, a substituição era há muito tempo necessária, devido à incapacidade demonstrada. Aliás, sugeri-o, aqui, frequentemente. Mas foi assim em todos os casos?

Também é importante reconhecer que os CA têm poderes limitados, que têm variado ao longo dos tempos, desde o modelo tradicional de Sector Público Administrativo (SPA), e mais integrado na administração direta do Estado, passando pelas Sociedades Anónimas (SA), até às Entidades Públicas Empresariais (EPE) que tinham “autonomia administrativa, financeira e patrimonial, operando com regras de gestão privada, visando maior eficiência e flexibilidade na contratação de pessoal e gestão de recursos”. Contudo, este modelo nunca funcionou plenamente com esta liberdade, quiçá por se reconhecer que muitos dos CA não estavam verdadeiramente preparadas para ela. Resta saber se o modelo ULS, “integrando cuidados primários e hospitalares numa única entidade de gestão, focado na proximidade e continuidade dos cuidados”, será mais eficiente que os anteriores.

Os CA das ULS são geralmente constituídos por cinco a sete membros: um presidente, dois vogais executivos (um financeiro), um diretor clínico e um enfermeiro diretor, os dois últimos duplicados para a área dos cuidados de saúde primários. Em princípio, a escolha dos restantes membros do CA cabe ao presidente, mas não tenho a certeza de que este tenha sempre a liberdade de o fazer.

Finalmente, tenho tido sentimentos algo errantes quanto à aplicação destes princípios no que diz respeito aos hospitais universitários, tendo em conta que, nestes, à vertente assistencial se adiciona a vertente ensino. Não deverá, nestes casos, a presidência ser atribuída a um médico, professor universitário? Mas, neste caso, tendo a certeza de que esta personalidade tem também suficiente conhecimento e experiência de gestão? Parece-me que não haverá muitos nestas circunstâncias!

Todo isto vem a propósito da recente entrada em funções de um novo CA da ULS de Coimbra (CHUC). O presidente do CA é, de facto, um médico, professor universitário, com alguma experiência na gestão de serviços e, caso inédito, tem a seu lado um anterior presidente do CA com vasta experiência administrativa nesta área. Outros elementos do CA têm também significativas experiências passadas. Nestas circunstâncias, o conjunto teria todos as condições de sucesso.
Esperamos, desejamos que funcione bem!

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