Assembleia Municipal de Coimbra chumba propostas para apoiar repúblicas
República das Marias do Loureiro foi um dos casos abordados | Fotografia: Arquivo - Ana Catarina Ferreira
A Assembleia Municipal de Coimbra rejeitou hoje as propostas de recomendação do Livre e do Bloco de Esquerda que procuravam um reforço do papel do município no apoio a repúblicas de estudantes em risco de fecho.
A proposta do Bloco de Esquerda defendia uma revisão do Regulamento Municipal de Proteção de Entidades de Interesse Histórico, com a criação de mecanismos de apoio e proteção “para cenários diversos da aquisição de imóveis, mormente de instalação, temporária ou definitiva, em novo alojamento e de realização de obras”, apontando para os casos das repúblicas das Marias do Loureiro e do Baco.
Estas duas repúblicas de estudantes estão em risco de despejo desencadeado pela Universidade de Coimbra, com a recomendação do Bloco a apontar também para o caso da república dos Pyn-Güyns, que enfrenta um processo de despejo eminente, naquele caso com senhorio particular.
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A proposta de recomendação contou com 17 votos a favor (sete do PS, grupos do Nós, Cidadãos, Livre, CDU, PAN e deputada única do Bloco de Esquerda), 15 abstenções (11 do PS, CDS-PP e IL) e 18 contra (três do PS, grupos do PSD e do Chega e deputado do PPM).
A proposta de recomendação do Livre, que abordava também aquelas três repúblicas de estudantes, teve ainda menos votos favoráveis: 13 a favor (dois do PS, grupos do Nós, Cidadãos, CDU, Livre e PAN e deputados do Bloco e IL).
A proposta contou ainda com 18 abstenções do PS e 19 votos contra (um do PS, grupos do PSD, CDS-PP e Chega e deputado do PPM).
A recomendação do Livre defendia um mecanismo de diálogo regular com todas as repúblicas, um levantamento das principais necessidades, entre outras medidas mais específicas para as três repúblicas em risco, sugerindo ainda a apresentação, no espaço de meio ano, de informação sobre as diligências desenvolvidas.
A mesma Assembleia Municipal de Coimbra chumbou também várias moções apresentadas pela CDU, entre as quais uma proposta de não cedência de qualquer património municipal a interesses privados com fins lucrativos, que mereceu os votos contra da grande maioria dos deputados de direita, mas também de todo o grupo do PS.
A moção contou com votos favoráveis de um deputado do PSD, dois da CDU, um do Bloco e um do PPM, assim como abstenções do Chega e do Livre.
Uma moção da CDU que propunha a suspensão do encerramento da circulação automóvel na rua da Sofia e lançamento de um estudo de medidas para a mobilidade da Baixa também foi chumbada, com votos contra dos diferentes partidos que fazem parte da coligação Avançar Coimbra (PS/Livre/PAN), mas também da IL e do PPM.
A favor, estiveram a maioria dos deputados do PSD, um do CDS-PP, o grupo do Nós, Cidadãos!, a CDU e o Bloco de Esquerda.
Sobre a rua da Sofia, a presidente da Câmara, Ana Abrunhosa, realçou que o fecho ao trânsito estava há muito previsto e que foram promovidas reuniões com comerciantes e moradores muito antes da implementação de qualquer alteração.
“Não há nada mais falso do que dizer que não há pessoas na Baixa de Coimbra”, disse a autarca, apesar de lamentar que comerciantes tenham os seus estabelecimentos fechados ao fim de semana, nomeadamente quando são promovidos eventos na rua, em particular pela União de Freguesias de Coimbra.
Nesse tema, o grupo Nós, Cidadãos! defendeu a divulgação do estudo de suporte à reformulação da mobilidade na Baixa de Coimbra, acusando o executivo de continuar sem divulgar esse trabalho de suporte às mudanças efetuadas no início de setembro.

