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Praia de Pampelonne

18 de setembro de 2026 às 09 h30

Foi nesta praia que, em 1956, Roger Vadim realizou o filme “E Deus Criou a Mulher”, película protagonizada por Brigitte Bardot. Foi um filme que gerou enorme controvérsia, transformando Bardot instantaneamente num símbolo sexual global e Saint-Tropez num epicentro de glamour. Os que se escandalizaram e tentaram censurar o filme (as cenas de nudez, o erotismo ou as danças provocantes) só realçaram a sua força revolucionária pois, pela primeira vez, uma jovem vivia a sua sexualidade de forma livre e autónoma, sem se sentir moralmente culpada ou tradicionalmente submissa. O corpo era dela e não dos homens que a cobiçavam e queriam controlar. Só uma visão machista da sociedade poderia alguma vez querer retirar-lhe a liberdade, que ela alimentou até ao fim dos seus dias.

A visão machista da sociedade não é exclusiva dos homens, tanto quanto se percebe pelas reacções ao mais recente anúncio publicitário protagonizado por Sydney Sweeney em prol de uma casa de apostas desportivas online de nome Novig. A selva das redes sociais faz-se ouvir, basicamente afirmando que é por causa do anúncio que as mulheres não são levadas a sério no desporto. Haja paciência! Como se a Brigitte Bardot a dançar o mambo e o cha-cha-cha, descalça em cima de uma mesa, tivesse sido uma catástrofe para as mulheres dançarinas profissionais.

Do mesmo modo, não me recordo de tamanha reacção adversa quando Tom Hintaus, um atleta olímpico, foi fotografado apenas de cuecas brancas, encostado a uma parede caiada, numa campanha da Calvin Klein, que também transformou Mark Wahlberg num objecto sexual masculino, especialmente quando foi fotografado em tronco nú, com as calças descaídas a mostrar o elástico da marca. Não faltam campanhas focadas quase exclusivamente em corpos masculinos jovens, atléticos, hipermusculados e seminus para vender perfumes, relógios, roupas.

Campanhas que incluem desportistas de nível mundial, entre os quais o nosso Ronaldo, ou o David Beckham (Armani) exposto em outdoors gigantes pelo mundo fora, apenas de cuecas. Mas antes desta normalização em que o corpo do homem heterossexual pode ser um produto de consumo visual tanto para homens como para mulheres, vem-me à memória o anúncio que inverteu os papéis. Quem não se recorda do anúncio televisivo “Diet Coke Break” em que se via um grupo de mulheres num escritório junto a uma janela, todos os dias à mesma hora, para ver um simples operário tirar a camisola e refrescar-se a beber uma Coca-Cola? Que eu saiba, nenhuma mulher se queixou.

Nem agora deviam queixar-se, pois o anúncio protagonizado pela Sydney não incentiva a praticar desporto, nem ofende as desportistas ou as mulheres. Pretende é captar o seu público-alvo, maioritariamente homens maiores de idade a inscreverem-se na plataforma e a gastar dinheiro em apostas desportivas. Provavelmente babados ou levados pela imaginação do anúncio, tal como as mulheres que todos os dias esperavam junto à janela.

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