Quando 70×7 não dá 490
Há números e contas difíceis de fazer.
No Evangelho, Pedro pergunta a Jesus: até quantas vezes devemos perdoar? Até 7 vezes!
Perdoar uma vez já não é fácil, quanto mais sete! Para um judeu como Pedro, 7 significava a plenitude, o desafio máximo, a fasquia mais alta.
Mas Jesus respondeu-lhe dizendo que deveria perdoar não 7 vezes, mas 70×7. Jesus colocou Pedro noutro horizonte, não de um número, mas de uma atitude. 70×7 é mais do que os dedos das mãos e mais do que o número dos dias do ano… É sempre. Jesus disse a Pedro que devemos perdoar sempre.
O que anda por perdoar na minha vida? A quem me custa perdoar? O que tenho de perdoar nos outros? Tenho pedido perdão a alguém? E a Deus?
O desejo de perdoar pode não estar presente, podemos não querer pedir perdão, mas todos desejamos viver em paz. Desejamos estar em paz com todos, connosco e até com Deus. Muitas vezes essa paz profunda e plena exige ‘processos de perdão’, curas de feridas abertas… Porque as mágoas e os ressentimentos tiram paz, a vingança e o ódio tiram sentido aos nossos dias.
Pedir perdão é reconhecer com humildade as nossas fragilidades e limitações, os nossos erros e os nossos pecados.
Perdoar não é esquecer. Perdoar é não alimentar a vingança, é entrar na lógica dos recomeços, é deixar que o amor vença sobre a ofensa.
O Perdão não se conjuga com merecer, mas com dar. O perdão dá-se, mesmo a quem não merece. Por isso, é que o perdão supera a justiça. Podemos estar condenados pela justiça e estarmos totalmente em paz por nos sabermos perdoados.
De facto, perdoar é dar ao outro a possibilidade do recomeço. Quando não perdoamos quem fica a perder somos nós. Ficamos mais amargos, pesados, tristes, vingativos… perdemos a paz interior.
Muitas vezes parece que pedir perdão é de fracos e perdoar é para totós, mas os fracos vingam-se e só os fortes conseguem perdoar.
Voltando ao Evangelho, Jesus perdoa sempre, mesmo quando é ofendido. Jesus ensina-nos a oferecer o perdão e incentiva-nos aos recomeços. Que o diga a mulher apanhada em adultério, o filho pródigo ou o bom ladrão.
Enquanto não somos (ainda) capazes de perdoar a alguém peçamos a graça da ‘distância pacificadora’ e da relação ajustada… sem desistir de pedir a coragem de dar o perdão.
