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Os primeiros passos (parte 12) França/Bélgica/Holanda/Espanha – 2000

09 de setembro de 2026 às 10 h23
Imagem gerada por IA

Um dos temas clássicos das viagens prende-se com a higiene. Voltemos então à aventura do InterRail do ano 2000. Ao fim do segundo dia, essa questão colocou-se, e algo teria de ser feito para não passarmos momentos de algum embaraço por vermos as pessoas a afastarem-se de nós dentro de transportes públicos. Tínhamos também de arranjar uma estratégia para nos conseguirmos manter nos mínimos aceitáveis de sociabilidade. Mas não havia roupa suficiente, nem tempo, nem dinheiro para irmos a uma lavandaria.

Com base na já batida frase de que a necessidade aguça o engenho, desenrascámo-nos à nossa maneira. Abordar muito do que orbita em redor da cadeia de fast food McDonalds já dava, por mérito próprio, um muito obeso capítulo sobre histórias de viagens. Não falo somente da busca por comida a um valor que fosse para nós comportável, com a sorte de nos oferecerem um hambúrguer extra quando o serviço estava muito lento e queriam os clientes satisfeitos, mas pelo seu uso das casas de banho, muitas vezes sem sequer haver aí consumo para contrabalançar as despesas da casa.

A ideia era simples: arranjava-se uma garrafa de água de 33cl que estava prestes a ser mandada para o lixo, levada discretamente para o WC. Aí, entrávamos na segunda fase do plano, ao correr o risco de lesionar o dedo enquanto carregávamos continuamente na máquina que dava sabonete líquido para se lavarem as mãos. Missão cumprida, era momento de seguir caminho e ter a sorte de encontrar um fontanário público para lavar tudo. De seguida, atava-se a roupa às mochilas e o calor faria o resto enquanto caminhávamos sob um sol escaldante.

Quando esta operação era levada a cabo sobre carris, o espetáculo visual era ímpar. Na pequena pia da casa de banho da carruagem metia-se uma meia a entupir o ralo para se fazer o resto enquanto houvesse água e sabonete (essa mesma pia que algumas vezes serviu para tomar banho). No fim, vinha o estender de roupa. Fazia-se na próxima paragem de comboio. Abria-se a janela, colocava-se a roupa de fora, mas com uma pequena parte ainda dentro para se fechar a janela e entalar tudo. Depois, com este meio de transporte a ganhar novamente embalo, era só ver tudo aquilo a abanar e querer acreditar que nada seria levado pelo vento. Uma ou duas estações depois, o problema estava resolvido. (continua)

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