Não somos todos amigos de Luís Neves
Luís Neves reconheceu há dias já ter cometido alguns erros e de os ter reconhecido. Contudo, fez questão de sublinhar que sempre cumpriu a lei (a mesma que já o ouvi dizer que desconhecia) na luta contra o crime. Não sei ao certo quais os erros cometidos e por ele reconhecidos. Podem ser as irregularidades e infracções financeiras detectadas pelo Tribunal de Contas numa auditoria à gestão da PJ em 2023. Podem ser os contratos celebrados entre a PJ e a empresa Construbarcelos, entre os quais se encontram as obras das instalações da sede da PJ na Guarda, que contaram com financiamento de fundos europeus e estão sob investigação da Procuradoria Europeia. Também pode ser o caso do atrelado apreendido numa operação de combate ao tráfico de droga e recuperado na Construbarcelos, empresa do empreiteiro amigo de Luís Neves. Ou as obras (piscina incluída) num monte alentejano, que Luis Neves entregou à mesma Construbarcelos.
Também pode estar arrependido de, no dia em que a PJ fez buscas à sede da Federação Portuguesa de Futebol, ter ilibado publicamente Fernando Gomes de qualquer envolvimento ilícito na operação que investigava um negócio ocorrido durante a sua presidência, chegando mesmo a dizer que ele “não é visado nesta operação” e que estava ali, na tomada de posse de Fernando Gomes como presidente da COP “para lhe dar um abraço e desejar-lhe as melhores felicidades no seu mandato”.
Do que ele já disse não estar arrependido é da operação que levou a cabo na Madeira no início de 2024. Aquela em que se fretaram aviões e se fizeram cerca de 130 buscas, que levou à demissão do executivo madeirense e que conduziu à prisão durante 3 semanas de um autarca e dois empresários por suspeitas de corrupção activa e passiva, participação económica em negócio, prevaricação, recebimento ou oferta indevidos de vantagem, abuso de poderes e tráfico de influência. Depois de tudo analisado, o juiz de instrução libertou toda a gente porque não encontrou indiciada a prática de qualquer crime.
Quanto a isto, Luis Neves já disse que voltaria a desencadear a operação na Madeira sem mudar nada, fazendo tudo “de igual forma”, uma vez que “os objectivos foram alcançados”. Não se percebe é quais. Recordo o que Luis Neves disse há dias. Ele, enquanto responsável da PJ, investigou “sempre com provas”, porque “sem provas não há acusação, há difamação”. Foi mais longe, e disse: “Há quem condene adversários sem provas. Esta é a diferença entre o estado de direito e a política da suspeita permanente.”
