Pot-pourri para a rentrée
Ano após ano surpreendemo-nos por a rentrée não o parecer… Muito porque a silly season também já é o que terá sido. De facto os assuntos parece que se recusam a entrar em modo de pausa. Este ano até o primeiro-ministro proclamou não ir de férias.
Em matéria de ambiente e qualidade de vida também não se parou. Infelizmente, na maior parte dos casos. E os assuntos são tantos que apresentam a defesa de cardume, confundindo a barracuda que não se consegue fixar num único peixe. Este escriba está nessa situação.
A Volta. A Volta a portugal em bicicleta atravessou a Mata de Albergaria, no coração do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Uma área de protecção parcial tipo I ladeada por áreas de protecção total. Nestas áreas a actividade humana é restrita, mesmo o turismo de natureza em bicicleta carece de autorização, enquanto que as actividades competitivas não são permitidas. O ICNF autorizou e a Zero aplaudiu as condicionantes, passarem menos carros e não irem helicópteros… É como se a polícia autorizasse os carros a andarem no passeio mas com o volume do rádio baixo. Tudo se pode fazer em todo o lado.
Na Comporta-Galé, a sul de Tróia, uma empresa vedou hectares e hectares de Zona Especial de Conservação, criada para proteger o sistema dunar. E limitou o acesso à praia. O Ministério do Ambiente está a reagir, procurando desmantelar o parque de campismo que obriga a empresa a garantir acesso ao mar… Uma reportagem dá na televisão tecendo loas à exclusividade do empreendimento, com um nível de exclusão com poucos exemplos na Europa. Até um príncipe britânico lá comprou casa. Orgulho nacional, «eles» gostam muito do nosso país, tanto que nem nos deixam espreitar.
Quase de seguida a reportagem sobre o esgoto a céu aberto em que se transformou o rio Leça, com a complacência cúmplice das entidades públicas, administração e políticas, locais e nacionais. Com a Junta a promover actividades no «rio» para crianças desfavorecidas. A recolherem lixo metidas na água compartilhada com coliformes e qúmicos. Não consta que os filhos do tal príncipe ou de qualquer dos seus vizinhos tenha participado nas actividades. Também não consta qualquer acção do Ministério do Ambiente.
Em Coimbra alguns comerciantes rebelam-se contra a proposta de limitar o trânsito automóvel particular na Rua da Sofia. Parece que são os carros que ali vão às compras. Mas se a Câmara de Coimbra dá uma no cravo logo dá outra na ferradura, insiste em alterar o PDM para permitir construir em altura em redor do rio e construir em áreas de risco de cheia… realmente a última cheia parece já ter sido há tanto tempo, montes de semanas…
Um pouco paralelamente, já alguém passeou no «comboio» turístico? Já ouviram as gravações que passam aos turistas? Ficariam a saber que foi o rei D. Dinis que «fundou as faculdades todas» (SIC) entre outras barbaridades. Recomendo a todos os Conimbricenses uma volta.
Termino com uma imagem da época, no Brasil são as águas de março que fecham o Verão, por cá é a imagem das camarinhas de setembro que o fazem. Estão em fruto, as bagas brancas, agridoces, a lembrar os fins de férias da infância. A Camarinha (Corema corema) é um arbusto das dunas, com indivíduos femininos e indivíduos masculinos, por isso muitos estão despidos de bagas, são os arbustos «meninos».
Bem regressados.
