Estudantes desenham processo participativo para pensar a Baixa de Coimbra
Fotografia: DR
Estudantes da Universidade de Coimbra desenharam um conjunto de propostas para desafiar a Câmara Municipal a lançar um amplo processo participativo para se pensar a Baixa, envolvendo diferentes grupos e atores.
Estudantes da licenciatura em Gestão e Cidades Sustentáveis e Inteligentes apresentaram hoje, na Faculdade de Ciências e Tecnologia, as suas propostas para o desenvolvimento de um processo participativo sobre o futuro da Baixa de Coimbra, abordando o envolvimento de diferentes grupos, como os comerciantes, idosos, visitantes ou migrantes.
O objetivo passa por, nas próximas semanas, ser apresentado um conjunto de recomendações de propostas à Câmara de Coimbra, disse à agência Lusa o docente universitário José Carlos Mota, um dos responsáveis da unidade curricular centrada na inclusão e participação urbanas da licenciatura.
Adira aqui ao canal do WhatsApp DIÁRIO AS BEIRAS
“A Baixa é um bocadinho o coração da cidade, mas um coração em sofrimento e eu sou de Coimbra e há aqui um lado sentimental […]. Por outro lado, há um novo ciclo [no município] que se abre para repensar o território e há aqui uma espécie de estímulo para uma nova forma de olhar para os problemas da cidade, eventualmente mais colaborativa”, aclarou.
Na unidade, foram analisados e pensados grupos distintos, como comerciantes, idosos, migrantes, visitantes ou associações que trabalham no terreno, propondo metodologias de envolvimento de cada grupo nessa reflexão mais estrutural sobre a Baixa.
Ao longo das apresentações, foi caracterizada uma Baixa com vários problemas, como edifícios degradados, problemas de higiene urbana, dificuldades de acesso, isolamento da população idosa e um território dividido e desequilibrado – há uma Baixa movimentada e com muitos turistas no eixo da rua Ferreira Borges e uma Baixinha mais esquecida e abandonada.
Os estudantes apontaram soluções distintas a pensar em cada grupo, como reuniões informais com comerciantes que possam estar em consonância com os seus horários, laboratórios cívicos para alunos universitários, comunicação acessível e mapas afetivos para idosos e comunicação em diferentes línguas para chegar a migrantes.
Em quase todos os grupos, é proposta uma comunicação informal, em sessões acessíveis e fora de espaços formais, com horários flexíveis e numa postura horizontal, além de uma proatividade para se conseguir chegar a todos.
Ao longo do semestre, os alunos de 2.º ano da licenciatura foram para o terreno, falaram com as pessoas da Baixa, ouviram especialistas e, por fim, apresentaram propostas de participação, desenhadas a pensar nas especificidades de cada grupo que habita e trabalha naquela zona da cidade.
“Cada grupo coloca desafios específicos”, notou José Carlos Mota, referindo que será também importante “capacitar técnicos para fazerem esse exercício de mediação”, numa administração pública que precisa de profissionais capazes de escutar.
Para o docente, o exercício desta unidade curricular é um desafio não apenas ao município, mas “à sociedade civil, aos conimbricenses e àqueles que conhecem e gostam e que vivem a Baixa”.
José Carlos Mota notou para os problemas de um edificado devoluto, reconhecendo, por outro lado, um risco futuro de gentrificação da Baixa.
Atendendo a esse risco, o docente universitário considerou que, a partir de processos participativos, é possível apoiar os grupos que poderão sofrer dessa eventual gentrificação e garantir que não são “sempre os mesmos a sofrer essas dores” de transformação.
