Opinião: “Feliz Natal”
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É já para a semana! E ainda nada está preparado, excepto a árvore de Natal. Nem local, nem prendas, nem comida. Tudo um enorme stress, ano após ano. Se as coisas se compuserem até à véspera, incluindo aquele electrodoméstico que normalmente se avaria, a frustração alivia, e essa é uma esperança. Pois tudo o mais é certo: há sempre reuniões familiares que podem descambar em atritos, desde há séculos por resolver, seguidas de quem tenta diminuir a pressão com as clássicas perguntas “quando é que te casas?” ou “já arranjaste um emprego decente?”, e termina quando nos lembramos carinhosamente daqueles que já não estão entre nós.
Até esse momento, o ataque de nervos psicótico é iminente. Há presentes para comprar, mas ou não há dinheiro, ou a encomenda não chegou a tempo, ou o produto está esgotado na loja. Entra-se então numa correria frenética, no meio do trânsito caótico, que drena todos os pingos de energia que ainda nos restam depois de mais um ano a trabalhar arduamente até ao último minuto e se, entretanto, tivermos a sorte de não nos obrigarem a fazer horas extraordinárias e às quais não podemos fugir, de acordo com o novo pacote laboral.
Ninguém merece isto. E se não forem as mães a salvação, nada do que se consiga cozinhar irá ser do agrado de todos, já para não mencionar os comentários passivo-agressivos sobre as roupas de cada um e os presentes “desiguais” ou “atirados para um canto”. Alguém, quase invariavelmente, acaba a chorar e a ter de ser confortado: “vá lá, olha para mim a comer este bolo de bacalhau maravilhoso que tu fizeste!” ou “eu adoro as renas da tua camisola, não ligues ao que os outros dizem”.
Mas nem tudo pode ser mau, apesar das guerras, dos desmandos governativos e da oposição, ou das eleições presidenciais que já transpiramos de enfado. Nem tudo pode ser mau porque em cada um de nós há uma luz de esperança de um mundo melhor e no qual estamos incluídos. Uma esperança que se renova, a final de contas, todos os anos. Ainda para mais com a ajuda dos novos medicamentos para emagrecer, cuja comparticipação, lá está, é este ano uma nova esperança, pois a comida é só para ser fotografada para as redes sociais e a inteligência artificial faz maravilhas nas fotos.
Desejo a todos, em especial ao diário As Beiras e às pessoas que todos os dias o fazem, um santo e feliz Natal.