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Opinião: Mundo em mudança: será a engenharia civil a profissão do futuro?

16 de abril de 2025 às 09 h27

É comum associar a engenharia civil apenas a obras de edifícios, estradas ou pontes, mas a realidade é bem mais ampla. Trata-se de uma área vasta e multidisciplinar, que engloba domínios tão diversos como o planeamento urbano, os sistemas de transporte ou a gestão ambiental.

Os engenheiros civis planeiam, projetam e constroem as infraestruturas essenciais ao nosso quotidiano – as cidades que habitamos, os sistemas de transporte que utilizamos e as infraestruturas e serviços que garantem o nosso bem-estar, como o abastecimento e saneamento de água. Esta diversidade de áreas de atuação, aliada às novas oportunidades que estão a surgir em Portugal e no mundo, ao alinhamento com grandes tendências globais e ao valor intrínseco da profissão, faz da engenharia civil, e das suas áreas próximas como a engenharia do ambiente e a engenharia de transportes, uma excelente escolha para quem procura uma profissão com impacto positivo.

É urgente contrariar o estereótipo, profundamente desajustado da realidade, mas que por vezes ainda persiste: o engenheiro civil não é um “pato bravo” nem apenas um indivíduo “que anda nas obras” – é um profissional altamente qualificado, com formação avançada em matemática, física, tecnologias e gestão, e com competências transversais para liderar equipas e encontrar soluções sustentáveis e eficientes para os desafios complexos do presente e do futuro.

Num mundo em rápida mudança e cada vez mais consciente da necessidade de construir um futuro sustentável, estas engenharias desempenham um papel crucial. Seja no combate às alterações climáticas, na promoção de cidades mais humanizadas e resilientes, ou na garantia do acesso universal a água potável e saneamento, as soluções passam, frequentemente, pelo trabalho de engenheiros civis, do ambiente e de transportes. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas — como o ODS 9 (Indústria, Inovação e Infraestruturas), o ODS 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis) e o ODS 13 (Ação Climática) — dependem fortemente da capacidade técnica e criativa destes profissionais.

As grandes transformações globais que vivemos — como o crescimento e envelhecimento da população, o processo contínuo de urbanização, a evolução tecnológica e a crise climática — estão a redesenhar os desafios das cidades e das infraestruturas. Neste novo contexto, os engenheiros são chamados a inovar: a integrar novas tecnologias e inteligência artificial (IA) para otimizar processos e apoiar a tomada de decisões, a repensar a mobilidade com soluções mais sustentáveis, e a projetar infraestruturas resilientes às alterações climáticas. Ao contrário de muitos outros casos, a IA não irá tornar estas profissões irrelevantes. Muito pelo contrário, irá ampliar as capacidades dos engenheiros, permitindo-lhes responder a desafios ainda mais complexos. A engenharia está, e estará cada vez mais, no centro da resposta a questões intrincadas e interdependentes, exigindo pensamento sistémico, compromisso com a sustentabilidade, e capacidade de concretização.

Em Portugal, prevêem-se longos anos de forte investimento em infraestruturas estratégicas para o país. Projetos como o novo aeroporto, a rede ferroviária de alta velocidade, ou a regeneração urbana, são apenas alguns exemplos. A habitação é outro grande desafio que coloca a engenharia civil no centro da solução. Estes projetos representam oportunidades únicas para os engenheiros civis, do ambiente e de transportes contribuírem ativamente para o progresso das cidades, a coesão territorial e a melhoria da qualidade de vida.

Portugal, e particularmente Coimbra, dispõe de uma oferta sólida e diversificada de formação universitária em engenharia, com cursos de licenciatura, mestrado e doutoramento que combinam qualidade de ensino, investigação de ponta, e uma estreita ligação ao mundo real. Ser engenheiro é, acima de tudo, ser responsável por construir soluções com impacto positivo. É uma profissão nobre, exigente e gratificante, que alia conhecimento técnico, inovação e um forte compromisso com a sociedade. Para os jovens que hoje escolhem o seu percurso, as engenharias civil, do ambiente e dos transportes oferecem um caminho de futuro — com múltiplas oportunidades, desafios estimulantes e um papel essencial na construção de um mundo mais justo, sustentável e funcional. Estas áreas estão no coração das grandes transformações do nosso tempo, com uma procura crescente de talento no setor público e privado. Ao optar por estas engenharias, os jovens têm a oportunidade de não só garantir uma carreira promissora, em Portugal ou de cariz internacional, mas também de contribuir ativamente para a construção de um mundo melhor.

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