Opinião: Sentir Portugal

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Aquando do último congresso do PSD o líder, Luís Montenegro, assumiu o compromisso de lançar um programa denominado “Sentir Portugal”. Este projeto consubstancia-se na permanência do Presidente do PSD, durante uma semana em cada mês, num distrito, com o objetivo de perceber melhor as oportunidades e as necessidades das pessoas de um determinado território. Sempre achei que as decisões que têm por base um maior conhecimento da realidade são muito mais profícuas do que as que são tomadas em gabinetes longe das pessoas, pelo que, desde a primeira hora, saudei esta decisão. No mês de janeiro o distrito escolhido foi Coimbra.
Acredito que após esta deslocação do presidente do PSD aos vários distritos e nomeadamente ao de Coimbra, a sua sensibilidade para os problemas e oportunidades desta região será muito maior. Os deputados eleitos pelo distrito de Coimbra e os autarcas, procuram, sempre que possível, alertar o governo para as necessidades da região. Mas, muitas vezes, não são ouvidos. O centralismo em Portugal tem sido uma constante nos últimos 20 anos, tendo-se agravado nos últimos 7. Consequência do despovoamento e do nosso sistema eleitoral, uma parte significativa dos deputados são eleitos por Lisboa e Porto. A maioria dos membros dos governos também residem na área metropolitana de Lisboa. As pessoas que sempre viveram nestas grandes cidades, por vezes, não têm sensibilidade para alguns dos problemas que enfrentamos. Nas últimas eleições legislativas o povo deu uma maioria absoluta ao PS, pelo que António Costa com todas as condições para governar e para cumprir a legislatura. É positivo que o Presidente do PSD vá utilizando parte do seu tempo, num estudo aprofundado de todo o território. Espero que o PSD ganhe as próximas eleições legislativas, mas não basta ganhar. É importante que o próximo primeiro ministro conheça muito bem a realidade do país e faça diferente. As políticas centralistas que temos tido, têm atrasado Portugal na sua recuperação económica. Países como a Roménia, historicamente, muito mais pobres, já nos estão a ultrapassar. Nesta visita realizada no distrito de Coimbra, foi possível constatar que não obstante as sucessivas promessas, a ligação de Coimbra a Viseu, por auto estrada continua por fazer. O IC6 continua parado em Tábua. O capital investido na TAP (3200 milhões de euros) dava para 23 obras de transformação do IP3.
Os problemas de erosão costeira, no nosso litoral, agravam-se. A floresta continua sem uma adequada política. Fiquei contente pelo facto do presidente do PSD, após a visita ao Laboratório de Estudos sobre Incêndios Florestais, ter assumido a disponibilidade para trabalhar no sentido de se criar um consenso nacional, o mais alargado possível, em torno do ordenamento florestal e da prevenção de incêndios.
A falta de resposta atempada por parte do Serviço Nacional de Saúde, tem levado cada vez mais pessoas a recorrer aos serviços privados. Nos últimos anos têm enriquecido as companhias de seguros. Há cada vez mais portugueses com seguros de saúde. Esta situação prejudica as pessoas mais vulneráveis financeiramente. Em algumas especialidades, temos uma saúde para pobres e uma saúde para ricos. O Governo tem aumentado o investimento no Serviço Nacional de Saúde, sem que esse investimento corresponda a uma melhoria do serviço. Para resolver este problema, o PSD tem defendido a complementaridade entre o Serviço Público, o serviço do Setor Social não lucrativo e o serviço do Setor Privado, competindo ao Estado encontrar a melhor resposta a cada momento. Para o PSD o importante é responder com celeridade e qualidade ás pessoas que sofrem. Se o Serviço Nacional de Saúde não consegue responder, deve encontrar a resposta no setor Social ou no Privado.
Fruto de políticas que considero erradas, os tempos de espera nos serviços de Urgência têm disparado.
Nos anos 80, nos governos do PSD e CDS, existiu um esforço no sentido de criar extensões de saúde nas freguesias e de abertura de serviços de atendimento permanente nos centros de Saúde. Infelizmente, no governo socialista de José Sócrates, assistimos ao encerramento destes serviços, em quase todos os concelhos, no distrito de Coimbra.
Na minha opinião, o encerramento dos Serviços de Atendimento Permanente dos Centros de Saúde foi uma asneira. Na altura em que decidiram encerrar estes serviços, no Centro de Saúde de Miranda do Corvo, desempenhava as funções de Presidente da Câmara. Manifestei com veemência a minha oposição. Sabia que muitas das situações resolvidas nestes serviços eram um bem para a população e evitavam a sobrecarga das urgências do CHUC. Com a falta de resposta destes serviços, muitas pessoas que poderiam ser tratadas nos mesmos, passaram a entupir as urgências centrais.
Pelo que foi com alguma satisfação que vi o Presidente do PSD, após visita ao CHUC, fazer um apelo para que seja feita uma avaliação do impacto do encerramento dos serviços de atendimento permanente dos Centros de Saúde. Em suma, uma gestão próxima das pessoas será certamente uma melhor gestão. A política deve servir para resolver os problemas das pessoas. Quando os políticos vêm ao terreno e ouvem as pessoas, ficam com condições para governar melhor.
Foi com um enorme prazer que acompanhei o Dr. Luís Montenegro nesta visita no distrito.

A minha atividade na semana passada
-Participação em reuniões de Comissão, em grupos de Trabalho e nas reuniões de -Plenário;
-Participação em atividades do Parlamento Jovem;
-Acompanhamento do Presidente do PSD, nas deslocações e reuniões no Distrito de Coimbra;

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