Metro Mondego rejeita proposta que evitava abate de árvores em Coimbra

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A Metro Mondego (MM), a Câmara de Coimbra e a Infraestruturas de Portugal rejeitaram hoje a proposta de traçado do metrobus feita pelo movimento ClimAção para evitar o abate de plátanos na avenida Emídio Navarro, no centro da cidade.

“A MM, a CMC [Câmara Municipal de Coimbra] e a IP [Infraestruturas de Portugal] entendem que a proposta apresentada não se revela nesta fase tecnicamente exequível, pelo que irá ser mantido o projeto de execução que foi anteriormente objeto de participação pública, nos termos legais em vigor, e que mereceu a aprovação de todas as entidades envolvidas no processo”, afirmou a Metro Mondego, em nota de imprensa enviada à agência Lusa.

Na sexta-feira, após uma conferência de imprensa do movimento ambientalista ClimAção, que tinha apresentado uma proposta de traçado que poderia evitar o abate de plátanos centenários na avenida Emídio Navarro, a Metro Mondego admitia que estava a estudar a viabilidade daquela solução.

No entanto, na segunda-feira, em reunião do executivo da Câmara de Coimbra, a vereadora com o pelouro da mobilidade, Ana Bastos, dava já a entender que a proposta não seria exequível, elencando várias razões de ordem técnica, em resposta a Miguel Dias, do ClimAção, que participou no período de intervenção do público, defendendo a solução apresentada à Metro Mondego.

Na nota de imprensa da MM divulgada hoje, aquela instituição explicou que a proposta foi enviada à Infraestruturas de Portugal, dono da obra do Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM) e à Câmara de Coimbra, bem como à equipa projetista, “solicitando que fosse estudada a hipótese apresentada”.

“É facilmente constatável que a viabilização da solução proposta [pela ClimAção], para permitir manter os cinco plátanos existentes, é conseguida à custa de externalidades e implicações que se traduzem no abaixamento expressivo dos padrões de qualidade do projeto”, apontou a Metro Mondego.

A alteração do traçado obrigaria a afastar a estação do Parque em cerca de 150 metros para sudeste da localização projetada, eliminar “um conjunto relevante de árvores, na avenida Emídio Navarro, no parque Manuel Braga e na Ínsua dos Bentos”, e “interferir com o posto de combustível e com a estação elevatória em construção, sob a responsabilidade das Águas do Centro Litoral”.

A Metro sublinhou que o afastamento da estação “obrigaria os utilizadores a um percurso expressivamente mais extenso, e por locais fechados e pouco atrativos (traseiras de habitações), reduzindo assim a capacidade de atração do SMM”.

A Metro Mondego acrescentou ainda que “a ripagem da via rodoviária obrigaria não só a abater um conjunto alternativo de árvores, mas iria também ocupar uma área sensível do Parque Manuel Braga, obrigando ainda a rever os projetos de especialidades, numa extensão superior a um quilómetro (numa fase em que parte das infraestruturas enterradas já se encontra em execução)”.

Para a Metro, mesmo que se avançasse para a solução assumindo os problemas elencados, a proposta do ClimAção apresenta “dois problemas adicionais que se revelam claramente como inultrapassáveis nesta fase de execução da empreitada, nomeadamente a invasão da área da estação elevatória e a ocupação do posto de abastecimento da Prio”.

“Alterar projetos consignados e em fase de execução tem implicações extremamente penalizantes em termos de financiamento, as quais podem levar à sua inviabilidade e encerramento definitivo”.

Na reunião do executivo de segunda-feira, Miguel Dias, do movimento ambientalista, realçou que o projeto do SMM “foi aprovado sem um debate público sério e alargado” e sem divulgação de material, nomeadamente desenhos em 3D e fotomontagens.

“Tiveram os senhores vereadores acesso a este documento [plano de abate de árvores]? Se sim, porque razão não deram conhecimento destes abates aos munícipes durante o período de discussão pública?”, questionou Miguel Dias, apelando à “imediata suspensão da ordem de abate dos cinco plátanos” e pedindo uma reunião para “minimizar o número de árvores abatidas ao longo do trajeto” do futuro SMM.

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