Opinião – Plano de Recuperação e Resiliência

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Um esboço para reorganização da Saúde na região centro com financiamento no Plano de Recuperação e Resiliência que terá por base a proposta do Prof António Costa e Silva para uma visão estratégica de recuperação económica de Portugal.
https://www.portugal.gov.pt/pt/gc22/comunicacao/documento?i=visao-estrategica-para-o-plano-de-recuperacao-economica-de-portugal-2020-2030
Num contexto de crise económica, de necessidade de construção de projectos sustentáveis para reequilibrar e qualificar soluções com futuro, resolvi apresentar um primeiro esboço de trabalho que pretende pedir para a região centro um investimento de vários milhões de euros para mudar o paradigma da saúde colocando o centro nos doentes e na sua mobilidade e adequação das estruturas à sua procura.
Coimbra tem um Centro Hospitalar Universitário que é uma cidade em si mesma e por essa razão, quando associada a Escolas de Enfermagem, Escola Superior de Tecnologia da saúde, pode fazer um cluster de saúde atractivo, competitivo, com baixa de custos em estruturas e redução da repetição de instalações de trabalho.
Este projecto baseia-se na edificação de uma cidade da saúde, a localizar nna zona onde já se encontram a ESTSeC, o Hospital dos Covões e o Centro de Sangue e da Transplantação de Coimbra.
Construir uma cidade onde há fácil acesso, capacidade de instalação de técnicos estudantes e visitantes, onde se pode estacionar sem destruir comodidades. Este projecto sonha com a completa destruição de estruturas anquilosadas, sem solução arquitectónica para o futuro, sem capacidade de adaptação à visão estratégica de uma saúde moderna.
Desaparece a estrada que divide o Hospital dos Covões da sua Consulta Externa (Rua 5 de Outubro) e começa por se repensar o urbanismo em torno da cidade da saúde. Uma cidade que vai da ESTeSC à rua vinha da Moura.

Aqui se pode equacionar a construção das três maiores estruturas de procura de doentes ao SNS: Consulta Externa, Urgência e Centro de Saúde. Pode equacionar-se a Unidade Funcional Maternidade e ainda uma hotelaria de qualidade para responder a sete salas de Bloco de Cirurgia Ambulatória que já existem e não carecem de obras, com e sem pernoita.
Construir estruturas que respondem à visão tecnológica, com equipamentos que permitam reduzir as consultas com presença física. Elaborar mecanismos informáticos que permitam monitorizar no domicílio e utilizar os telemóveis como instrumentos de ajuda aos doentes. Isto é parte integrante do plano estratégico do Prof António Costa e Silva.
Consulta Externa – um edifício novo, com estacionamento fácil junto à estruturas. Uma consulta com diversas salas de espera e diversas entradas que obstem à acumulação de doentes. Gabinetes de consulta e de pequena cirurgia que permitam resolver pequenas situações no dia da solicitação. Projecto “Vê-me e Trata-me”. As primeiras consultas, resposta aos P1, serão sobretudo informáticas, sem necessidade de presença de doentes.
O Centro de Saúde deve ser também repensado numa perspectiva que atraia mais doentes, construa sinergia com o Hospital e se torne a porta de entrada no sistema com encaminhamentos mais óbvios.
A Urgência polivalente com equipa própria, consumirá menos recursos ao CHUC e torna-se numa porta de entrada referenciada, quer de outros hospitais e centros de saúde, quer da consulta externa, quer de clínicas privadas. Muitos doentes devem recorrer à Urgência pelo sistema informático, colocando sua ansiedade e dúvida através de uma espécie de whatsapp que permite uma primeira abordagem e triagem.
A Maternidade, a Urgência e o Centro de Saúde devem ser unidades funcionais que mudam o paradigma em que hoje são procurados. Uma Maternidade que está sobretudo focada na grávida doente, atraindo as situações graves de toda a região centro, com valências múltiplas de resposta.
A Cirurgia de ambulatório deve cumprir a lei, tornar-se uma unidade funcional com quadro específico, alargando a sua resposta a mais patologias, ancorando o crescimento do GDH numa melhor hotelaria com equipas médicas e de enfermagem para apoio ás comorbilidades e ensino para o domicílio. O doente que consegue realizar o seu penso não precisa mais que de um meio seguro de contacto dos técnicos.
O ensino nesta estrutura deve ter uma edificação onde um departamento de anatomia serve todos os cursos com meios modernos. Um ensino baseado na distância quando ela é admissível e na proximidade e tecnologia quando ela é adequada. Um director de departamento de Anatomia pode construir melhor ensino a todos os cursos que uma plêiade de professores que se resguardam nas suas conchas. Esta ideia é válida para muitas outras áreas, como laboratórios, investigação, departamento de imagem, etc.
Com este plano estabelecem-se metas descritas no projecto do Governo. Neste plano repensamos a saúde de um modo diferente, o ensino, a construção hospitalar, a mobilidade na cidade e nos espaços, reorganizamos a cidade de Coimbra. Libertamos espaços essenciais ao desenho de uma nova cidade, moderna tecnológica e com saúde.
Sugiro pois que o CHUC pense um plano de construção pedindo verbas para a mudança. É uma ideia ambiciosa que envolve o Município, a ARS, o Ministério da Saúde e o da Educação, onde o CHUC pode ser líder e catapultar revolução I&D para a saúde.

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