Opinião: Afinal quem é o Primeiro-Ministro?

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Aaceitação de António Costa para integrar a comissão de honra (honra?!.. só o nome já dá vontade de rir…) de Filipe Vieira é, no mínimo, intrigante e inexplicável. Recordo que Sócrates ainda não foi julgado, nem condenado.
No entanto, bastou ter sido constituído arguido para António Costa, que ainda não era primeiro-ministro, achar que devia manter um distanciamento de segurança, relativamente a este seu grande amigo e a quem tanto deve.
Ora, neste momento, António Costa, para além de não ser amigo de Filipe Vieira, é primeiro-ministro pelo que, por maioria de razão, devia ter a prudência de manter, pelo menos, o mesmo tipo de distanciamento social que teve com José Sócrates.
Além disso, Filipe Vieira, para além de ser arguido num processo de corrupção de magistrados, o mais grave em toda a história da magistratura portuguesa, cuja acusação está por dias, é um dos maiores devedores do Novo Banco, um dos maiores escândalos da política e da finança portuguesa, cuja auditoria acaba de ser conhecida.
O que leva, então, um primeiro-ministro a colocar a cabeça no cepo por um indivíduo com este currículo, quando o mais elementar bom senso desaconselhava e o código de conduta do Governo proíbe?
Que credibilidade e autoridade moral tem agora António Costa para meter o dinheiro dos contribuintes no Novo Banco, quando oferece a sua honra para apoiar um dos maiores devedores do BES e do Novo Banco?
Como podem os portugueses confiar no projecto lei de luta contra a corrupção de um primeiro-ministro que entrega a sua honra para apoiar um indivíduo que está envolvido num dos processos de corrupção mais graves da justiça portuguesa?
O New York Times em Abril publicou um artigo com o título “Benfica, um Estado Soberano”. Pippo Russo, numa entrevista recente à revista Sábado, insinuou que o estado português era um enclave dentro do estado soberano que era o futebol português. E Pedro Guerra, nos seus e-mails, tratava Filipe Vieira como o nosso primeiro-ministro.
Ora, das duas uma: ou Filipe Vieira é efectivamente o primeiro-ministro de Portugal ou tem de haver um motivo escondido muito forte para António Costa aceitar suicidar-se politicamente, despojando-se, em público, da sua honra e da sua credibilidade. Será que Rui Pinto é capaz de descodificar este mistério?

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