Opinião – Opções governamentais

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Nos últimos dias fomos confrontados com o fim abrupto e sem justificação de uma reunião no INFARMED, uma prática que quase todos achavam útil que se transformou em rotina que agora parece vir a ser descontinuada.
Antes, uma educação pública generalizada valorizou a ciência e a prática científica, que agora esclarece os nossos temores, tinha-as tornado úteis para a organização da vida social em tempos de COVID 19, embora se notasse uma constante revisão do que ia sendo dito pois a ciência está a rever muitas verdades, que foram sendo refutadas por novas investigações, fazendo-nos sentir a falta destes esclarecimentos, que assim nos iam sendo dados.
Repetia-se um vazio que: “Não podemos deixar de sentir, por honra da Faculdade, e utilidade dos estudantes médicos que um tal hábil Professor como é o Dr. Soares tenha abandonado a sua cadeira de Anatomia para ser redator de uma das piores Gazetas do mundo: nem é pequeno o nosso espanto vendo que o Governo de Portugal consente, e talvez apoia uma tal marcha”1 .
Agora que vivemos o frenesim de ver muitos a produzir ciência, o que leva à publicação quase imediata dos seus resultados, que, por isso, não passa pelo crivo normal da avaliação pelos pares, estruturado por “referes”, avaliadores, que analisam os trabalhos em que são expostos os resultados da investigação. Assistimos por isso a notícias de refutações científicas desesperantes, mas necessárias, que mostram que os caminhos científicos demasiado apressados têm estes percalços já esperados.
Por outro lado, tal como aconteceu em 1899 no Porto a Ricardo de Almeida Jorge, que teve de fugir para Lisboa, enquanto Luís Câmara Pestana acabaria por morrer devido à Peste Bubónica, as forças poderosas dos negócios podem desacreditar os saberes científicos por considerarem que a economia, e ainda mais a finança, não pode ser “prejudicada” por tantos cuidados.
É por isso natural que em Lisboa o número diário de infetados se mantenha constante num nível preocupantemente elevado, estando já identificadas as suas causas sociais. O problema são as forças políticas que não capazes de as enfrentar com coragem, preferindo fechar os olhos e esperando que tudo “se componha”.
Entretanto, Portugal está bloqueado na sua economia por muita dela depender do Turismo Internacional e muitos países nos terem identificado como destino inseguro, embora o Turismo de Portugal tenha emitido um selo de garantia que afiança os nossos Hotéis e Restaurantes como locais Safe and Clean, já que assim se distinguem os estabelecimentos que cumpram as recomendações da Direção-Geral da Saúde para evitar a contaminação dos seus espaços com o novo coronavírus. Mas, isso não convence os Estados que agora interditam Portugal por o considerarem um destino inseguro.
E devemos questionarmo-nos e perguntar-lhes porquê.
Talvez já o saibamos.

( 1 )Investigador Português em Inglaterra, n.º VI, Dezembro de 1811, t. II, p, 226.

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