Cortejo foi “pouco católico” mas recordou os heróis de 1969

DB-Pedro Ramos

À primeira vista, o cortejo da Festa das Latas parecia uma procissão: dez estudantes, de capa aos ombros, carregavam uma estrutura parecida com um andor. A imagem, porém, era tudo menos religiosa: uma figura masculina segura bandeiras de vários partidos políticos junto à torre da Universidade de Coimbra, preparando-se para “destruir” o ensino superior.
A ação da direção-geral da Associação Académica de Coimbra (DG-AAC) que, ontem à tarde abriu o cortejo da Latada, quis chamar a atenção para “o agente político que, independentemente da sua cor ou ideologia, tem destruído o setor”.
“Com esta iniciativa reivindicamos três pontos essenciais: ação social mais forte, revisão do Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior – que afasta os estudantes dos órgãos de gestão – e, por último, diminuição do custo de frequência (como as propinas ou o alojamento) que, muitas vezes, impossibilita os estudantes de chegaram ou de permanecerem no ensino superior”, afirmou Daniel Azenha, presidente da DG-AAC.
Apesar de ter tido um início aparentemente religioso, o cortejo foi tudo menos católico. A começar pela linguagem – em cada cântico, dois, três ou mais palavrões; depois, os carrinhos de compras (furtados dos hipermercados da cidade) que voltaram a circular em grande número pelas ruas da cidade, ora transportando bebidas e comida, ora transportando “doutores” ou caloiros menos sóbrios.
Apesar da habitual “irreverência”, os estudantes não esqueceram aquele que foi um dos períodos mais importantes da Academia de Coimbra: num ano em que se comemoram os 50 anos da crise de 1969, muitos caloiros – com destaque para os da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física – envergaram roupa ou faixas onde se lia “Peço a palavra”, “Estudantes unidos por Coimbra” ou “Abril de 1969”.
Pode ler a reportagem completa e ver as fotografias do cortejo da Festa das Latas 2019  na edição impressa desta segunda-feira, 14 de outubro, do Diário As Beiras

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