Papa: Decana dos jornalistas no Vaticano soma mais de 140 viagens papais

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A primeira viagem papal que a jornalista mexicana Valentina Alazraki acompanhou foi ao seu país natal, naquela que foi a primeira visita do papa João Paulo II, em 1979. Até hoje, a decana dos vaticanistas conta 142 voos papais.

A correspondente da televisão mexicana Televisa junto da Santa Sé seguiu 100 das 104 viagens do papa polaco, falhou apenas uma das 24 viagens de Bento XVI e, até agora, todas as visitas ao estrangeiro de Francisco – a viagem de sexta-feira e hoje a Fátima é a 19.ª do argentino.

“É uma vida impressionante. Calharam-me 40 anos extraordinários para a vida da Igreja e do mundo e com três papas extraordinários”, descreveu à Lusa.

Valentina tem dificuldade em identificar uma viagem particularmente marcante, mas recorda o “impacto, também a nível pessoal”, da primeira visita que seguiu, por se tratar do seu país.

A primeira visita ao exterior de João Paulo II foi à República Dominicana, México e Bahamas, entre janeiro e fevereiro de 1979.

Já o decano dos jornalistas com acreditação permanente no Vaticano, Philipp Pullella, da agência Reuters, já soma cerca de 130 viagens com os papas João Paulo II, Bento XVI e Francisco.

A sua “estreia” foi numa deslocação a África com o papa polaco, em 1982 – na ocasião, João Paulo II visitou a Nigéria, o Benin, o Gabão e a Guiné Equatorial, ao longo de uma semana.

Pullella recorda o significado das viagens de João Paulo II à sua terra natal, a Polónia, onde testemunhou “a transição do comunismo para a democracia”.

“A última vez que João Paulo II foi à Polónia [em 2002], ele já estava bastante doente e tornou-se muito claro que aquela seria a última vez. O país estava a despedir-se de um pai e foi muito, muito emotivo”, relatou.

Já com o seu sucessor, Bento XVI, “a viagem mais importante foi a [antigo campo de concentração de] Auschwitz, onde ele fez um discurso muito apaixonado pedindo perdão, como um filho da nação alemã, por aquilo que os nazis fizeram”.

Do papa argentino, Philip Pullella evoca a primeira viagem, ao Brasil, para as Jornadas Mundiais da Juventude. No regresso, na sua primeira conferência de imprensa aos jornalistas que seguiam a bordo do avião, Francisco pergunta “quem sou eu para julgar”, a propósito dos homossexuais.

“Isso foi muito marcante”, disse.

Pullella refere, sobre o seu trabalho, que não o encara “como uma experiência religiosa”, afirmando que noticia a atividade do papa como “uma figura política e religiosa, como alguém que pode influenciar o mundo”.

Aura Miguel, jornalista da rádio Renascença, não atingiu o marco das 100 viagens papais, mas está a apenas oito de conseguir.

“Comecei a acompanhar as atividades do papa e da Santa Sé em 1986 e comecei a viajar com ele em 1987. A bordo do avião papal, entrei em 1990. Para conseguir a acreditação permanente, é preciso algum tempo de currículo”, narrou à Lusa.

A primeira vez que acompanhou João Paulo II foi à Polónia, uma experiência “inesquecível”, porque as celebrações tinham “uma faceta política” e reuniam “multidões a perder de vista, com um a dois milhões de pessoas”.

A jornalista portuguesa também recorda uma viagem de João Paulo II a Cuba (1998), que colocou “lado a lado dois grandes líderes mundiais, ambos muito carismáticos”, referindo-se ao papa e antigo Presidente cubano Fidel Castro.

Com o papa polaco, Aura Miguel foi selecionada para integrar o séquito papal durante um dia, seguindo as ações do núcleo mais próximo do líder católico.

“Impressionou-me essa faceta escondida, porque as viagens são muito desgastantes”, disse, comentando: “Percebo perfeitamente que o papa Francisco esteja sempre a pedir que rezem por ele, porque esta missão é de uma exigência desmesurada para as capacidades humanas”.

O papa Francisco termina hoje a visita ao Santuário de Fátima, onde irá canonizar Francisco e Jacinta Marto, duas das crianças que estiveram na origem do fenómeno da Cova da Iria.

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