Confiança, onde andas?

Qualquer padrão de desenvolvimento implica necessariamente uma taxa de confiança, como condição essencial de sustentabilidade do modelo em causa.

A situação económica da Europa apresenta actualmente um panorama misto, onde se põe em causa a situação financeira de alguns países, Portugal incluído, que poderão suscitar a sua ampliação face ao efeito “cascata”.

O caso de Portugal, com a sua manifesta dependência do exterior, por efeito de tantos erros cometidos de que todos somos responsáveis, uns mais outros menos, leva-nos a um nível de desconforto perante o actual estado de coisas, suscitando um mundo de preocupações.

Aos políticos e aos que transitoriamente vestem essa pele, devem exigir-se níveis de confiança acrescida, para evitar males maiores, fazendo-a induzir nas expectativas do povo português.

No caso concreto dos autarcas, aqueles que estão na linha da frente a tentar resolver os problemas das suas comunidades, apresentam-se hoje desafios redobrados, perante os cenários de agravamento da conjuntura económica e consequentes efeitos sociais. Com quebra nas transferências do Orçamento do Estado, quebra de receitas próprias e agravamento das taxas de juro não é possível gerar a confiança necessária para enfrentar as dificuldades que se vão avolumando.

Com os dados lançados, tememos claramente os efeitos de uma crise social que pode atingir proporções nunca antes vividas e para a qual não estamos de modo algum preparados.

Agitar bandeiras de barriga cheia é uma coisa, mas de barriga vazia, será seguramente outra, porventura com cor negra, nunca antes vista.

Sem querer dramatizar, penso que está na altura de darmos as mãos e desenvolvermos um esforço conjunto para criar sinergias, tendentes a dar a volta a este estado de coisas, para evitar o destino deste “Titanic” em que todos estamos embarcados.

Olhar para os nossos filhos e netos e reflectir sobre qual o país que lhes vamos deixar, pode ser um bom ponto de partida, para que o colectivo se sobreponha ao individual, esquecendo clubites e guerras de quintinhas perfeitamente estúpidas e incompreensíveis.

Hoje, já ninguém vai a algum lado sozinho. Por isso, apostemos nas sinergias para que realmente ganhemos o futuro.

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