“Cidadãos são aqueles que querem ser senhores do seu destino”

Escrevo este texto no dia em que se comemoram 100 anos da Implantação da República. Agora é que precisávamos de uma revolução. Não é preciso matar ninguém, mas é preciso colocar as coisas no seu lugar, desmascarar os responsáveis pelo descalabro em que vivemos, que desonra os ideais republicanos que celebramos, com tanta pompa e circunstância. Um exagero, do meu ponto de vista.

Represento a DREC no Grupo de Educação para a Cidadania do Conselho da Europa há três anos, a palavra cidadania é-me, portanto, muito familiar.

Tem sobretudo a ver com responsabilidade colectiva. Ser cidadão significa pôr em acção a sua liberdade e igualdade e empenhar-se na defesa dos interesses comuns. As liberdades públicas implicam responsabilidade. Ser responsável é ser-se capaz de responder pelo que se faz, assumindo-o como um acto próprio. Significa responder, “fui eu” quando os outros querem saber quem levou a cabo as acções que foram a causa mais directa, destes ou daqueles efeitos, maus ou bons. Infelizmente, em Portugal, a participação dos cidadãos na vida política é muito reduzida, evidenciando-se uma falta de interesse da população jovem pelos assuntos políticos. A cultura individualista vigente conduz à permissividade, levando à negação dos mais elementares valores morais, ao desenvolvimento de várias formas de corrupção e ao descrédito da acção pública.

Ouvi dizer a António Barreto, num jantar de Rotários, realizado na semana

passada: “Cidadãos somos todas e todos sem excepção”. Até aqui, de acordo. “Os direitos dos cidadãos inscritos na Constituição Portuguesa não são compatíveis com o período de crise económica que o país atravessa. Vamos à Constituição e vemos que o cidadão português tem todos os direitos e mais alguns. Tem direito à saúde e educação de graça, à habitação”. Que escândalo! E não é de graça. Eu por exemplo desconto para a ADSE. Fizemos uma revolução há 35 anos por estes direitos. O que é preciso mudar não são estes direitos. São os deveres, sobretudo, de quem governa.

Ora, como escreve Luis Pais Antunes no Jornal Económico desta semana: desconfio que poucas vezes na nossa história fomos confrontados com tamanhas manifestações de incompetência, arrogância e nepotismo. Mente-se descaradamente, diz-se e desdiz-se tudo e o seu contrário, renegam-se verdades “absolutas” e promete-se o que antecipadamente se sabe não haver condições para cumprir.

No passado dia 1 de Outubro, ouvi José Pedro Aguiar Branco, que esteve em Coimbra como convidado do Conselho de Opinião do PSD, e, confesso, é aqui que quero chegar: “cidadãos são aqueles que querem ser senhores do seu destino”. Os socialistas acreditam que é ao Estado que compete dirigir as nossas vidas. Nós, também me incluo, não. Nós acreditamos que podemos gerir, inovar, ter os nossos negócios, escolher o nosso caminho. Temos que devolver as mulheres e homens deste País, esse poder. Chega de 15 anos de governos socialistas que nos levaram ao colapso. Precisamos de colocar os interesses do Estado ao serviço das pessoas. O exercício da actividade política deve ser feito, pelo menos em geral, por quem mostrou ser capaz de não depender da política. Funcionários do partido é no Partido Comunista. Isto tem que traduzir-se com clareza no programa do PSD, em revisão. O alívio da dimensão da incompatibilidade. Políticos mais livres e mais representativos, maior proximidade entre o eleito e o eleitor, confiança . Aproveitar para fazer convergir o que se quer fazer dentro do partido com o que se deseja fora dele.

Durão Barroso diz que se Portugal não resolver os problemas com as suas finanças públicas a situação “passará de má a péssima”. Que há um problema de confiança dos mercados na evolução das finanças portuguesas, que espera que as forças políticas com responsabilidade cheguem a um acordo. Pois , que remédio.

A nossa “crise” tem consequências mais gravosas provocadas pela crise internacional porque ninguém nos acode, mas tem a ver é com a nossa orientação, com uma política estatizante suicida, como se verá, quando a crise passar para os outros e a nossa continuar

Precisamos de tomar o nosso destino nas mãos .

É um acto de cidadania responsável fazer o que está ao nosso alcance para mudar.

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