Opinião – Quem?

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BRUNO PAIXÃO opiniaão recorteBruno Paixão

Franquelim Alves é o novo senhor BPN. Ficámos a saber que a dupla Oliveira e Costa e Dias Loureiro já era. É coisa do passado! Até aqui, ninguém sabia quem era Franquelim. Mas desde que entrou para o governo, caiu nas bocas do mundo. Tão quietinho que ele estava e havia de meter-se na política…

Quero dizer sem ironia que, por mim, não vejo mal nenhum no facto de o Franquelim do BPN ter aceitado um lugar no governo. Antes, os media nunca se importaram muito com ele. Franquelim não era importante. O mal está, aí sim, em alguém tê-lo tirado do armário. Mas “quem”? – isso é o que faltou aos jornalistas investigar para podermos perceber “porquê”.

Convidar um envolvido no escândalo que nos custará sete mil milhões – o equivalente aos nossos subsídios de férias e de natal de vários anos, aos sonhos, ao pão e às quinas da bandeira – isso é que nos dói! Não lembraria ao diabo. Mas lembraria a quem? Foi esta a questão que os media não esclareceram. “Quem”, foi a primeira pergunta que me ensinaram a fazer enquanto estudante de jornalismo. Aos jornalistas que trataram a questão bastaram as culpas do Álvaro, o ministro-bode-expiatório que veio do Canadá e que por isso não entende a política – por mais incrível que pareça, isto veio sugerido no Expresso…

Mas a trágica verdade é que o “quem” obriga a prudência acrescida. Vejamos: o primeiro-ministro – das duas uma, ou Passos, ele próprio, desejou a entrada de Franquelim, ou apenas tomou conhecimento e achou que bastaria suprimir do seu currículo a passagem pelo BPN para que ninguém notasse. Mas há ainda outro “quem”: Cavaco Silva – é este quem recebe antecipadamente a lista com os nomes. Como poderia ele não saber? Concordou, empossou e continuou soturno no seu casulo de silêncio…

 

Anteontem, quando a noite mergulhava já na madrugada, um amigo jornalista dizia-me: na agenda das redações só havia espaço para as caneladas dos apoiantes de António Costa a António José Seguro. O espaço mediático foi invadido por antigos ministros de Sócrates, convertidos em comentadores. A crise financeira foi esquecida e, como é sabido, os fait divers colam-se aos noticiários que nem lapas. O governo pôde respirar, há muito que não o fazia. Insisti, ante a languidez da noite: “mas por que raio havia Passos Coelho de estragar o estado de graça do refrescamento do governo e querer provocar um incêndio dentro de um barril de pólvora?”.

Estou em condições de dizer-lhe, desde que evidentemente prometa guardar segredo. Há uma estratégia de comunicação por detrás de tudo isto: fazendo uma coisa tão estúpida, mas mesmo tão estúpida, todos se focarão nela a tentar percebê-la e ninguém se lembrará que, algures num gabinete, há uma mão decidida a ceifar o estado social que resta.

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